Destaque

É preciso sair de Rondônia para crescer na carreira? Psicóloga Sâmia Manthey revela oportunidades e desafios do mercado de trabalho

Fundadora da Nativ Psicologia Organizacional, reconhecida entre as 100 startups mais promissoras do Brasil no Startup Summit, defende o potencial da inovação em Rondônia e alerta sobre saúde mental, qualificação profissional e retenção de talentos.

podrondonia

O desejo de conquistar melhores salários, ampliar oportunidades e construir uma carreira de sucesso tem levado muitos profissionais a considerar mudanças para outros estados. Entretanto, será que sair de Rondônia é realmente necessário para alcançar reconhecimento e desenvolvimento profissional?

Essa foi uma das principais reflexões apresentadas durante uma edição do PodRondônia, produção do Grupo Amazun, conduzida pelo apresentador Inácio Rocha, que recebeu a psicóloga, pesquisadora e empreendedora Sâmia Manthey Hechtheuer, fundadora da Nativ Psicologia Organizacional.


A entrevista, abordou o futuro das carreiras em Rondônia, o fortalecimento do empreendedorismo, o desenvolvimento das startups, a saúde mental dos trabalhadores e a importância das relações humanas para o crescimento sustentável das empresas.

Sâmia compartilhou uma trajetória marcada por aproximadamente 12 anos de experiência na docência, formação acadêmica na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), atuação em pesquisa aplicada e uma transição profissional que resultou na criação de uma startup voltada à prevenção do adoecimento mental no ambiente de trabalho.

Durante a conversa, a especialista também apresentou os desafios e as conquistas da Nativ, que, segundo seu relato, alcançou reconhecimento entre as 100 startups mais promissoras do Brasil durante o Startup Summit, realizado em Florianópolis, Santa Catarina.

É preciso deixar Rondônia para conquistar sucesso profissional?

Um dos principais questionamentos apresentados por Inácio Rocha foi sobre a ideia de que profissionais precisam buscar oportunidades em outros estados para desenvolver uma carreira de sucesso.

Sâmia revelou que também já pensou em deixar Rondônia durante sua formação acadêmica.

Na época em que cursava Psicologia na Universidade Federal de Rondônia, chegou a considerar uma transferência para a Universidade de São Paulo (USP).

Entretanto, a experiência no mestrado em Administração, também na UNIR, transformou sua percepção sobre a região amazônica.

A pesquisadora explicou que passou a estudar as características econômicas, ambientais e sociais da região Norte, identificando oportunidades que anteriormente não conseguia enxergar.

"Eu preciso gerar uma solução que gere valor para essa região."

A declaração resume uma mudança importante em sua trajetória: em vez de considerar a saída de Rondônia como única alternativa de crescimento, a psicóloga começou a enxergar os problemas locais como oportunidades para desenvolver soluções inovadoras.

Para ela, o estado possui características específicas que podem favorecer negócios voltados à tecnologia, inovação social e desenvolvimento sustentável.

A reflexão apresentada não ignora as dificuldades estruturais, econômicas e educacionais existentes na região. Pelo contrário, sugere que compreender esses desafios é uma etapa importante para identificar oportunidades de atuação profissional e empresarial.

De professora universitária a fundadora de uma startup

A experiência de Sâmia no empreendedorismo começou a ganhar forma a partir de 2021, quando ainda atuava como professora universitária.

Após aproximadamente 12 anos dedicados ao ensino superior e à pós-graduação, a psicóloga passou a buscar maneiras de aplicar seus conhecimentos científicos na resolução de problemas enfrentados pelas organizações.

Durante o mestrado em Administração, aprofundou o contato com a pesquisa aplicada e passou a compreender melhor os desafios enfrentados pelos gestores.

Segundo ela, administrar uma empresa envolve responsabilidades que vão desde a geração de receitas e organização de processos até o gerenciamento de pessoas e das condições de trabalho.

A partir dessa compreensão, surgiu o desejo de desenvolver uma solução que ajudasse empresas a identificar fatores associados ao adoecimento mental de seus trabalhadores.

A pesquisadora explicou que sua ideia começou a se transformar em empreendimento com o fortalecimento do ecossistema de inovação em Rondônia.

Programas de incentivo, como Centelha e Tecnova, foram citados como oportunidades importantes para viabilizar projetos inovadores.

Segundo seu relato, o apoio recebido por meio do programa Centelha contribuiu para a abertura do primeiro CNPJ e o início de sua atuação como consultora.

Com o avanço do projeto, a Nativ passou a desenvolver metodologias que integram conhecimentos da psicologia, administração e tecnologia.

Startup de Rondônia conquista reconhecimento nacional

Um dos momentos de destaque da entrevista foi o relato sobre a participação da Nativ no Startup Summit, evento de inovação realizado em Florianópolis.

Sâmia explicou que a empresa participou de um processo de seleção que reúne startups de diferentes regiões do Brasil.

De acordo com a empreendedora, a Nativ alcançou a etapa das 100 startups mais promissoras, conquistando visibilidade nacional.

"Nós tivemos aí a grande surpresa de estar entre as 100 startups mais promissoras do Brasil."

O reconhecimento foi especialmente importante porque a empresa ainda se encontra em processo de desenvolvimento, aperfeiçoamento e validação de sua solução.

A psicóloga contou que a experiência permitiu estabelecer novas conexões com empreendedores, instituições de apoio e representantes de ecossistemas de inovação mais consolidados.

Para Sâmia, participar de eventos desse porte também permite que empreendedores de Rondônia comparem suas soluções com iniciativas desenvolvidas em outros estados.

A experiência fortaleceu sua percepção de que projetos criados na região Norte podem alcançar mercados nacionais e internacionais.

Nativ pretende ampliar atuação para hospitais da Amazônia Legal

A Nativ Psicologia Organizacional foi desenvolvida com o objetivo de auxiliar organizações na identificação e no gerenciamento de fatores psicossociais relacionados ao trabalho.

Durante a entrevista, Sâmia explicou que a empresa desenvolveu uma versão inicial de sua solução, conhecida no ambiente de inovação como Produto Mínimo Viável (MVP).

Segundo ela, essa etapa já foi aplicada em um ambiente real, permitindo observar necessidades, avaliar resultados iniciais e receber informações para aperfeiçoamento.

O foco inicial da startup está relacionado ao atendimento de hospitais da Amazônia Legal.

Ao apresentar sua perspectiva de crescimento, a empreendedora revelou uma meta:

"A minha meta é a seguinte: alcançar 552 hospitais na Amazônia Legal."

O número representa um objetivo de expansão, e não uma quantidade de instituições atualmente atendidas.

Sâmia destacou que o desenvolvimento de uma solução voltada à saúde mental exige aproximação com os ambientes de trabalho, participação dos gestores e aperfeiçoamento contínuo.

Para a pesquisadora, somente a aplicação prática permite identificar se as ferramentas desenvolvidas conseguem responder adequadamente aos problemas encontrados nas instituições.

Saúde mental dos trabalhadores deve fazer parte da estratégia das empresas

Outro assunto central do episódio foi a importância da saúde mental para a produtividade e a sustentabilidade empresarial.

Sâmia explicou que fatores relacionados à organização do trabalho podem contribuir para o sofrimento psicológico dos profissionais.

Entre os desafios discutidos estão problemas de comunicação, falta de clareza sobre responsabilidades, ausência de processos estruturados e dificuldades de liderança.

A pesquisadora defendeu que as empresas precisam compreender melhor os riscos psicossociais presentes em seus ambientes.

Segundo ela, o gerenciamento desses fatores não deve ser tratado apenas como uma responsabilidade individual do trabalhador.

A organização também precisa avaliar práticas de gestão, condições de trabalho, relações profissionais e oportunidades de desenvolvimento.

Ao final da entrevista, a psicóloga destacou o principal propósito de sua atuação:

"Que ninguém precise adoecer por estar realizando um trabalho."

A declaração sintetiza a proposta da Nativ de desenvolver ferramentas que contribuam para ambientes profissionais mais saudáveis e para uma gestão baseada em informações.

Salário alto não é suficiente para manter bons profissionais

Durante o programa, Inácio Rocha questionou o que as empresas de Rondônia precisam fazer para atrair e manter profissionais qualificados.

Sâmia explicou que o salário é importante, mas não representa o único fator considerado pelos trabalhadores.

A especialista destacou a relevância do desenvolvimento profissional, do reconhecimento, da autonomia e das relações construídas no ambiente de trabalho.

Segundo ela, muitas pessoas estão buscando atividades que tenham significado e estejam alinhadas com seus valores pessoais.

A psicóloga chamou a atenção para o conceito de salário emocional, relacionado a fatores que não dependem exclusivamente da remuneração financeira.

Entre esses fatores estão sentir-se respeitado, ouvido e valorizado, além de trabalhar em um ambiente que ofereça segurança psicológica.

Na avaliação da convidada, organizações que proporcionam desenvolvimento técnico, crescimento pessoal e equilíbrio entre vida profissional e familiar podem apresentar melhores condições para reter talentos.

A reflexão reforça que a competitividade de uma empresa também depende da qualidade da gestão de pessoas.

Liderança despreparada pode prejudicar o ambiente organizacional

Sâmia também abordou a responsabilidade dos gestores na construção de ambientes profissionais saudáveis.

Segundo sua experiência, processos mal estruturados e lideranças que ainda não desenvolveram determinadas competências podem provocar conflitos, retrabalho e insatisfação.

A psicóloga destacou que muitas organizações ainda precisam melhorar a distribuição de responsabilidades, os mecanismos de comunicação e os processos de avaliação profissional.

A ausência dessas estruturas pode contribuir para o presenteísmo, situação em que o trabalhador está fisicamente presente, mas encontra dificuldades para desempenhar suas atividades de maneira adequada.

Durante a entrevista, afirmou:

"A empresa, ela reflete muito o mindset do dono."

A declaração foi utilizada para destacar a importância da formação e do desenvolvimento contínuo de empresários e gestores.

Para a especialista, liderar também exige aprender a comunicar, desenvolver pessoas, estabelecer processos e criar condições para que a organização funcione de maneira estruturada.

Trabalho remoto pode ampliar oportunidades para profissionais de Rondônia

O crescimento do trabalho remoto também foi discutido como alternativa para ampliar as oportunidades profissionais.

Inácio Rocha questionou se a possibilidade de trabalhar a distância poderia beneficiar moradores de Rondônia.

Sâmia explicou que profissionais qualificados podem prestar serviços para empresas localizadas em outras regiões brasileiras e até em outros países.

A pesquisadora citou exemplos de atividades realizadas remotamente pela própria Nativ, incluindo parcerias técnicas, mentorias e desenvolvimento de projetos.

Segundo ela, a startup chegou a trabalhar com um estagiário localizado em São Paulo, enquanto sua estrutura principal permanecia em Rondônia.

A convidada também mencionou experiências observadas em organizações públicas e privadas que passaram a utilizar modalidades remotas.

Entretanto, ressaltou que o modelo exige planejamento e estratégias adequadas de gestão.

"O trabalho remoto, ele exige mais da estratégia de gestão."

A especialista explicou que gestores precisam definir objetivos, indicadores, entregas e formas de acompanhamento compatíveis com a realidade de cada atividade.

O debate demonstrou que trabalhar remotamente amplia possibilidades, mas não elimina a necessidade de organização, responsabilidade e qualificação.

Falta de confiança pode limitar oportunidades profissionais

Um dos pontos mais reflexivos da entrevista foi a percepção de Sâmia sobre a autoconfiança dos profissionais da região Norte.

A psicóloga afirmou observar, dentro de sua experiência profissional, que muitas pessoas questionam a própria capacidade de prestar serviços para empresas maiores.

Essa percepção, segundo ela, pode dificultar a busca por oportunidades fora do mercado local.

A especialista ressaltou que nem sempre a principal limitação está relacionada à formação técnica.

Em determinadas situações, o profissional possui conhecimento, mas encontra dificuldades para reconhecer suas competências e apresentar seu trabalho.

Ela também relatou que precisa lidar com questionamentos semelhantes durante sua própria trajetória como empreendedora.

A discussão destacou a importância do desenvolvimento emocional, do reconhecimento profissional e da construção de redes de relacionamento.

Jovens enfrentam pressão por sucesso e resultados imediatos

Outro tema abordado foi a cobrança para que jovens conquistem estabilidade profissional e independência financeira cada vez mais cedo.

Inácio Rocha questionou como a comparação com outras pessoas, principalmente nas redes sociais, pode afetar a saúde emocional de quem acredita estar atrasado na carreira.

Sâmia explicou que o desenvolvimento profissional envolve processos de aprendizagem, frustrações e amadurecimento.

Na avaliação da convidada, a exposição constante a histórias de sucesso pode levar algumas pessoas a comparar trajetórias que possuem condições e contextos diferentes.

A psicóloga destacou que construir uma carreira exige identificar interesses, desenvolver habilidades e aprender a lidar com desafios.

O autoconhecimento foi apresentado como um elemento importante para evitar decisões baseadas exclusivamente nas expectativas de outras pessoas.

"O autoconhecimento, ele liberta."

Para Sâmia, compreender os próprios valores, objetivos e padrões de comportamento ajuda na construção de decisões mais conscientes.

O debate também abordou a influência da família, da tecnologia e das mudanças culturais sobre as expectativas profissionais das novas gerações.

O que realmente significa ter sucesso profissional?

A entrevista também trouxe uma reflexão sobre os critérios utilizados para definir uma carreira bem-sucedida.

Inácio Rocha questionou por que tantas pessoas associam o sucesso a salários elevados, cargos de destaque e oportunidades em grandes centros urbanos.

Sâmia respondeu que percebe uma transformação nas expectativas dos trabalhadores.

Segundo ela, algumas pessoas estão passando a valorizar mais a coerência entre seus princípios pessoais e o trabalho que realizam.

"Mais importante do que o dinheiro na conta é a congruência."

A psicóloga explicou que profissionais podem experimentar insatisfação mesmo recebendo salários elevados, especialmente quando suas atividades entram em conflito com seus valores.

A discussão apresentou uma perspectiva de sucesso que ultrapassa os aspectos financeiros.

Qualidade de vida, relações saudáveis, desenvolvimento pessoal e propósito profissional também podem integrar essa avaliação.

Para a especialista, cada pessoa precisa estabelecer os próprios critérios, considerando sua realidade e suas expectativas.

Inovação social pode transformar problemas em oportunidades

Ao discutir o desenvolvimento de Rondônia, Sâmia destacou o conceito de inovação social.

A psicóloga explicou que esse modelo procura identificar problemas enfrentados pela sociedade e desenvolver soluções que também possam apresentar sustentabilidade econômica.

Segundo ela, conhecer melhor as necessidades da região Norte permite identificar oportunidades de empreendedorismo.

A trajetória da Nativ foi apresentada como exemplo de iniciativa criada a partir de uma demanda relacionada ao ambiente de trabalho.

A entrevistada também destacou a importância das redes de apoio ao empreendedorismo, citando programas de incentivo, mentorias, aceleradoras e instituições como o Sebrae.

Para Sâmia, a existência de problemas sociais não significa ausência de oportunidades, mas evidencia a necessidade de desenvolver soluções alinhadas às características locais.

Essa perspectiva também exige reconhecer que inovação e empreendedorismo não substituem políticas públicas nem resolvem isoladamente os desafios sociais.

Empreender em Rondônia e alcançar outros mercados

Ao final da entrevista, Inácio Rocha perguntou se Sâmia deixaria Rondônia caso recebesse uma proposta de trabalho com salário superior em outro estado.

A psicóloga explicou que sua trajetória atual está relacionada à construção de um empreendimento próprio, e não apenas à busca por uma posição profissional assalariada.

Segundo ela, seu objetivo é ampliar o alcance da Nativ e desenvolver uma solução capaz de atender organizações inicialmente na Amazônia Legal, com possibilidades futuras de expansão.

Sâmia não descartou a hipótese de atuar em outros ecossistemas de inovação, caso isso seja necessário para o desenvolvimento do projeto.

Entretanto, reforçou que a mudança geográfica não deve ser interpretada como condição obrigatória para o crescimento.

Sua visão é que decisões profissionais precisam considerar valores, objetivos, recursos disponíveis e oportunidades de desenvolvimento.

Rondônia possui desafios, mas também possibilidades de crescimento

A entrevista evidenciou que construir uma carreira em Rondônia exige compreender tanto as limitações regionais quanto as possibilidades oferecidas por novos modelos de trabalho e negócios.

A trajetória de Sâmia Manthey Hechtheuer mostra como conhecimento científico, empreendedorismo e inovação podem se conectar para desenvolver soluções voltadas às necessidades locais.

O reconhecimento nacional relatado pela fundadora da Nativ, a proposta de atuação em hospitais e as conexões com outros ecossistemas de inovação demonstram a dimensão das oportunidades buscadas por iniciativas criadas no estado.

Ao mesmo tempo, o debate alertou para a importância de fortalecer a formação profissional, valorizar talentos, qualificar lideranças e investir na saúde mental dos trabalhadores.

A principal reflexão deixada pelo episódio é que o crescimento profissional não depende exclusivamente de onde uma pessoa está, mas também das condições, oportunidades e relações que encontra para desenvolver suas capacidades.

O episódio integra o PodRondônia, apresentado por Inácio Rocha, com participação de Sâmia Manthey Hechtheuer, psicóloga, pesquisadora e fundadora da Nativ Psicologia Organizacional. A produção é do Grupo Amazun, com distribuição pelo canal Olá Rondônia, no YouTube, pelos portais de notícias do grupo e pelas emissoras parceiras.



play_circleTV ao Vivo

AO VIVO

Comentários

Deixe sua opinião sobre este conteúdo usando sua conta do Facebook.

Notícias relacionadas