A expectativa de diminuir a conta de energia tem levado produtores rurais a considerar a instalação de painéis solares. Para transformar essa intenção em um investimento adequado, porém, é necessário analisar o consumo da propriedade, a qualidade do projeto e o suporte oferecido depois da instalação.
Esse foi um dos principais recados do RuralCast, do Grupo Amazun, em parceria com a Emater. O programa, exibido no canal Olá Rondônia, recebeu Fernando Matos, engenheiro agrônomo e extensionista rural, com apresentação de Paulo Henrique Custódio, biólogo e gerente regional da Emater na Zona da Mata.
“Preço não é tudo”, afirmou Fernando ao comentar a escolha de fornecedores e os problemas que podem surgir quando o orçamento mais baixo se torna o único critério de contratação.
Segundo o entrevistado, o produtor precisa conhecer o que está incluído na proposta e como será realizado o atendimento após a entrega. Equipamentos, instalação, procedimentos de conexão e manutenção devem ser considerados na avaliação do serviço.
Referências ajudam a reduzir problemas
Paulo Henrique reforçou que a busca por empresas com histórico de atuação e referências de clientes deve fazer parte da rotina de contratação no campo.
A orientação apresentada no programa foi conversar com pessoas que já utilizaram o serviço, verificar como ocorreu a instalação e conhecer a experiência delas com o atendimento posterior.
Fernando também destacou a importância de avaliar a estrutura da empresa para acompanhar os projetos vendidos. A capacidade de realizar a instalação precisa estar associada às condições de prestar suporte ao longo do uso.
Antecedência para atender à irrigação
O prazo de implantação foi outro tema central da conversa. O convidado relatou trabalhar com uma previsão contratual média de aproximadamente 60 dias para entregar o sistema funcionando, ressaltando que podem ocorrer variações.
O exemplo foi utilizado para alertar produtores que procuram orçamento apenas quando a despesa com irrigação já está elevada. Uma contratação próxima do período de maior necessidade pode fazer com que o sistema fique pronto depois da fase em que seria mais utilizado.
“Já procurar antes, não deixar em cima da hora”, recomendou Fernando.
O recado foi reforçado pelo apresentador: “Planejamento é a alma para o sucesso de qualquer produtor”.
Financiamento e retorno precisam de avaliação individual
A entrevista também abordou alternativas de financiamento para aquisição de sistemas de energia renovável, com referências a bancos, cooperativas e operações vinculadas ao Pronaf.
Paulo Henrique destacou o enquadramento da agricultura familiar e mencionou o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, o CAF, durante a discussão sobre acesso ao crédito.
As condições citadas pelos participantes retratam os exemplos apresentados no episódio. Taxas, prazos, exigências e disponibilidade precisam ser confirmados com a instituição financeira responsável pela operação.
O mesmo cuidado vale para a expectativa de retorno do investimento. A comparação deve considerar o valor do projeto, o consumo ao longo do ano, os custos de manutenção e as condições de eventual financiamento.
Durante o programa, Fernando também apresentou exemplos em que a cobrança de energia diminuiu após a instalação, mas não desapareceu. A conversa evidenciou que a expectativa de economia precisa levar em conta a composição da fatura de cada unidade.
Baterias entram na análise das áreas com dificuldades de abastecimento
Os sistemas com armazenamento foram discutidos como uma possibilidade para situações em que o acesso à rede é limitado ou o fornecimento apresenta dificuldades.
Fernando apontou o custo das baterias como um fator relevante nessa comparação. Além da implantação, a avaliação precisa considerar a vida útil dos componentes e sua futura substituição.
Paulo Henrique relatou situações observadas em áreas rurais em que a infraestrutura elétrica enfrenta dificuldades para atender à demanda da irrigação. Para ele, conhecer as alternativas disponíveis permite discutir soluções compatíveis com cada realidade.
O apresentador também citou experiências com energia solar e baterias em moradias de uma área fluvial da Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta d’Oeste, onde relatou o uso de equipamentos como geladeiras, freezers e lâmpadas.
Olhar a propriedade como um todo
Ao encerrar a discussão, Paulo Henrique destacou que o trabalho de extensão rural precisa considerar o conjunto das atividades e das necessidades familiares.
“O extensionista tem que olhar a propriedade como um todo”, afirmou.
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