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ASSISTA: Após perder o filho, Ana Paula Roszak apresenta no RolimCast projeto de acolhimento a famílias em luto

Em entrevista a Angélica Cristina, terapeuta compartilha sua experiência, destaca a importância da escuta e propõe uma rede de apoio para mães, pais e familiares que enfrentam a perda de alguém querido.

Olá Rondônia
Foto: Olá Rondônia / RolimCast

A perda de um filho muda a rotina, interrompe planos e impõe uma ausência que alcança toda a família. Foi sobre essa experiência e sobre a importância de encontrar apoio para atravessá-la que Ana Paula Roszak conversou com a apresentadora Angélica Cristina no RolimCast, podcast do Grupo Amazun, exibido no canal Olá Rondônia, no YouTube.

Terapeuta na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Novo Horizonte do Oeste e moradora de Rolim de Moura há mais de duas décadas, Ana Paula compartilhou a experiência de perder o filho caçula, Lucas, em decorrência de um acidente de trânsito. Ele tinha 18 anos e 11 meses.

Durante a entrevista, ela explicou que o apoio recebido de outras mães foi fundamental nos primeiros momentos e despertou o desejo de oferecer acolhimento a quem enfrenta uma situação semelhante.

“A gente está vivendo hoje intensamente e o amanhã a gente deixa para viver amanhã”, relatou.

Do acolhimento recebido à vontade de ajudar

Ana Paula contou que, após comunicar a morte do filho nas redes sociais, recebeu mensagens de mães de Rolim de Moura e de outras localidades de Rondônia. Muitas haviam perdido filhos e procuraram oferecer solidariedade a partir das próprias experiências.

Embora não tenha conseguido responder a todas imediatamente, ela destacou que essas conversas ajudaram a enfrentar a sensação de isolamento.

“Eu me senti muito acolhida por todas as mães que entraram em contato comigo”, afirmou.

A partir desse contato, começou a conversar com familiares, colegas de trabalho e outras mães sobre a criação de um grupo. A proposta é construir um espaço em que as pessoas possam compartilhar sentimentos, falar sobre quem perderam e encontrar apoio sem cobranças.

“Eu quero também acolher essas mães”, declarou.

Um abraço também pode ser acolhimento

Outro tema central da conversa foi a dificuldade de quem deseja ajudar, mas não sabe como se aproximar de uma pessoa enlutada. Ana Paula relatou perceber esse receio em encontros cotidianos, inclusive quando saía para fazer compras.

Segundo ela, nem sempre é necessário encontrar uma frase capaz de explicar ou amenizar a perda. Em sua experiência, a presença e os gestos de carinho também fazem diferença.

“Você não precisa falar nada, basta um abraço seu”, disse.

O relato reforçou a importância de manter o contato depois do velório e das primeiras semanas. Para Ana Paula, a passagem do tempo não elimina a saudade nem a necessidade de acolhimento.

“Porque é uma dor que a gente aprende a conviver”, explicou.

O tempo do luto e o retorno à rotina

A pressão para retomar rapidamente a vida também esteve entre os assuntos abordados. Ana Paula contou que voltou ao trabalho 15 dias após a perda e conversou com a chefia sobre a necessidade de respeitar os momentos em que não estivesse bem.

Ela apresentou essa decisão como parte de sua experiência pessoal e destacou o acolhimento recebido no ambiente profissional. Segundo relatou, voltar às atividades não significou deixar de sentir a ausência do filho.

Entre momentos de conversa, risadas e choro, a rotina passou a ser reconstruída aos poucos. Seu depoimento mostrou como a retomada das atividades pode coexistir com a saudade e com dias de maior dificuldade.

Pais, irmãos e outros familiares também precisam de atenção

Embora o contato com outras mães tenha motivado a iniciativa, Ana Paula ressaltou que o projeto pretende acolher toda a família. Durante a entrevista, ela falou sobre o sofrimento do esposo e da filha e contou que os três fazem acompanhamento psicológico.

A experiência ampliou seu olhar para a necessidade de incluir pais, irmãos e outros familiares na rede de apoio.

“Todo mundo perdeu também um pedacinho”, afirmou.

Na conversa, a convidada destacou que o sofrimento dos pais também precisa ser percebido e acolhido. A proposta do grupo é abrir espaço para essas diferentes experiências, respeitando a maneira como cada pessoa consegue falar e buscar ajuda.

Projeto pretende reunir escuta, apoio psicológico e orientação jurídica

Ainda em fase inicial, a iniciativa prevê aproximar famílias e profissionais dispostos a colaborar. Entre os objetivos apresentados estão viabilizar atendimento psicológico e orientação jurídica para situações que surgem após uma perda.

Ana Paula citou a própria experiência com procedimentos relacionados ao vínculo de trabalho do filho como exemplo das demandas práticas que podem aparecer em um período de grande sofrimento emocional.

Na ocasião da entrevista, ela informou que havia iniciado um perfil nas redes sociais e estudava criar um grupo de WhatsApp para aproximar as famílias. Também abriu espaço para a participação de profissionais e pessoas interessadas em contribuir com o projeto.

Falar sobre quem partiu e preservar os vínculos

Ana Paula também compartilhou que encontrou na escrita uma forma de expressar a saudade. Desde a perda do filho, passou a registrar sentimentos em cartas, especialmente nos momentos de maior angústia.

Outro ponto destacado foi a necessidade de falar sobre Lucas. Ela contou que, em uma visita a familiares, houve inicialmente uma tentativa de evitar o assunto para proteger o casal. Entretanto, ela e o esposo queriam conversar sobre o filho e preservar suas lembranças.

“Procurem ajuda, conversem, falem sobre o assunto”, afirmou.

A presença dos amigos de Lucas também foi lembrada como uma importante fonte de carinho. Segundo Ana Paula, eles continuam próximos da família e participam de momentos em que a ausência se torna especialmente difícil.

Ao encerrar sua participação no RolimCast, a convidada reforçou que uma mensagem, uma conversa ou um abraço podem ajudar alguém a se sentir acompanhado.

“Quando tem pessoas junto fica mais fácil de passar pelo processo”, declarou.

ACESSE E ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA:



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