A preocupação com os rumos do país e com a preservação das instituições democráticas, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, impulsionou a retomada das ruas pelo movimento estudantil. Milhares de estudantes têm promovido atos em diversas cidades para defender a educação pública e manifestar posições sobre as propostas dos candidatos.
Protagonismo estudantil
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, destaca o papel central de universitários e secundaristas nas mobilizações atuais, traçando um paralelo com a trajetória histórica da entidade em momentos críticos, como a luta contra a ditadura militar, a campanha pelas eleições diretas e o processo de impeachment de Fernando Collor. Segundo a dirigente, o cenário eleitoral coloca em risco o futuro do país, com a possibilidade de retrocessos na educação e nas liberdades democráticas.
A dirigente aponta desafios estruturais, como o subfinanciamento das universidades públicas e a necessidade de ampliar a assistência estudantil para garantir a permanência de alunos de baixa renda. Para a UNE, a defesa da democracia está intrinsecamente ligada à valorização da universidade pública e à melhoria das condições de vida da juventude.
Contexto jurídico e político
Recentemente, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) que visava barrar publicações nas redes sociais de dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo a UNE.
Perfil da liderança
Bianca Borges, estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025–2027. Com trajetória iniciada no movimento estudantil aos 14 anos, a dirigente foi coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP e presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), onde atuou na resistência a propostas de privatização e militarização do ensino estadual.
Propostas em debate
Em entrevista, a presidente da UNE criticou propostas de Flávio Bolsonaro, como a transferência da gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Por outro lado, o programa de governo do candidato defende a reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas, a expansão das escolas cívico-militares e a manutenção do piso constitucional para a área educacional.