Em nota divulgada no sábado (17), organizadores criticam comentários publicados nas redes sociais, defendem a importância da cultura geek e solicitam posicionamento oficial da Ordem dos Advogados do Brasil.
A organização do Mugiwara Fest divulgou, neste sábado (17 de outubro), uma nota pública de repúdio a declarações atribuídas a um representante da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Cacoal, Rondônia. A manifestação foi motivada por comentários publicados nas redes sociais sobre a realização do festival de cultura pop, anime, games e cosplay nas dependências da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
Segundo os organizadores, as declarações teriam desqualificado a importância cultural do evento, ao associar atividades como competições de videogames e cosplay a uma suposta falta de prioridade na formação de profissionais como engenheiros, cientistas, professores e pesquisadores.
A nota menciona que o autor dos comentários teria utilizado a expressão “farmar aura” para se referir, de maneira depreciativa, às atividades do festival, além de questionar se esse seria o futuro desejado para o Brasil.
A organização considerou as manifestações preconceituosas e afirmou que a participação em atividades da cultura geek não é incompatível com a formação acadêmica, a produção científica ou o desenvolvimento profissional.
Organização defende o papel cultural e educativo do festival
Na manifestação, os responsáveis pelo Mugiwara Fest ressaltaram que o evento vai além do entretenimento, proporcionando oportunidades de integração social, valorização artística e incentivo à criatividade.
Realizado no campus da UNIR em Cacoal, o festival reúne atividades relacionadas a animes, mangás, música, dança, literatura, jogos eletrônicos e cosplay.
A programação da terceira edição está prevista para os dias 17 e 18 de outubro, com entrada gratuita e atividades abertas a diferentes faixas etárias.
De acordo com a nota, aproximadamente 1.200 pessoas se inscreveram para esta edição, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Os organizadores também destacaram a participação de estudantes universitários, professores, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, argumentando que interesses culturais não determinam a capacidade intelectual ou as perspectivas profissionais de uma pessoa.
Uso da universidade e apoio institucional
Outro ponto abordado pela nota foi a utilização das instalações da universidade para a realização do evento.
Segundo a organização, o Mugiwara Fest integra institucionalmente a programação do Festival de Arte e Cultura da UNIR e conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Cacoal.
Os responsáveis afirmaram que o festival também é viabilizado pela colaboração de comerciantes, patrocinadores, voluntários e apoiadores.
A nota reconhece a legitimidade do debate sobre o uso de espaços e recursos públicos, mas defende que esses questionamentos sejam realizados sem desqualificar manifestações culturais ou seus participantes.
Festival destaca ações sociais e movimentação econômica
A organização também ressaltou a contribuição do Mugiwara Fest para a economia local, por meio da participação de comerciantes, artesãos, artistas e pequenos empreendedores.
Além das atividades culturais, a nota informa a realização de três iniciativas solidárias: arrecadação de alimentos para a Casa de Apoio São Camilo, arrecadação de recursos para a Associação Vira Lata Vira Amor e apoio financeiro aos cuidados dos cães comunitários que vivem no campus da UNIR.
Para os responsáveis, essas iniciativas demonstram que o festival também busca promover solidariedade, inclusão e desenvolvimento comunitário.
Organização cobra posicionamento oficial da OAB
Ao final do documento, datado de 17 de outubro de 2026, a organização solicita um posicionamento oficial da OAB sobre as declarações atribuídas ao seu representante.
Os organizadores também convidaram o autor dos comentários a conhecer pessoalmente o festival, suas atividades e os projetos sociais desenvolvidos.
“Cacoal merece mais cultura, mais oportunidades e, acima de tudo, mais respeito”, afirma a nota.