Josefa Francisca Ataide, uma agricultora e raizeira do Distrito Federal, transformou o conhecimento ancestral sobre plantas, herdado de sua família, em um empreendimento de sucesso, o Chá da Terra. Sua jornada demonstra como a sabedoria tradicional, aliada ao apoio técnico, pode gerar autonomia e renda, ao mesmo tempo em que promove a valorização do Cerrado.
Desde a infância, Josefa aprendeu com as mulheres de sua família a profunda conexão entre alimento, natureza e saúde, utilizando as plantas do entorno como medicina e fonte de sustento. Na vida adulta, esse saber foi complementado por conhecimentos técnicos sobre beneficiamento e toxicidade, culminando na criação do Chá da Terra, um negócio de agricultura familiar. “A essência de tudo isso é da minha família”, ressalta a empreendedora.
Por anos, Josefa dedicou-se ao cuidado do quintal, cultivando alimentos e plantas medicinais, um trabalho essencial para a família, mas que muitas vezes permanecia invisível. Com o Chá da Terra, ela conquistou não apenas renda e reconhecimento, mas, sobretudo, autonomia. Atualmente, ela e seu marido, Antônio, contam com o apoio da filha na produção de chás, xaropes, pomadas, sabonetes e outros produtos naturais, desde o plantio até o beneficiamento. “Esse trabalho traz autonomia, identidade e valorização”, afirma.
Enfrentando desafios comuns ao empreendedorismo rural, como infraestrutura e comercialização, Josefa encontrou no Sebrae o suporte necessário para estruturar seu negócio. Através de capacitações, ela adquiriu conhecimentos em gestão financeira, precificação, identidade visual e acesso a mercados. “Eu costumo dizer que ter um empreendimento eu aprendi com o Sebrae. Ele me fez entender que o que eu sabia fazer tinha valor”, explica, reconhecendo que antes não via seu trabalho como um negócio.
Para Josefa, o crescimento do Chá da Terra está intrinsecamente ligado à preservação do Cerrado, que ela considera parte de sua própria existência. A família prioriza o cultivo das espécies utilizadas e coleta sementes de plantas como barbatimão, alecrim-do-campo, pacari e assa-peixe para reprodução no quintal, minimizando a extração da vegetação nativa. Mudas também são destinadas à recuperação de áreas degradadas.
O Cerrado em pé gera renda, gera saúde, gera conhecimento. Se a gente entender isso, passa a proteger e a usufruir com muita responsabilidade.
Josefa Francisca Ataide, empreendedora
O conhecimento ancestral que Josefa herdou continua a ser compartilhado. Em oficinas e cursos, ela ensina não apenas o preparo de produtos, mas também sobre cultivo responsável e a valorização dos saberes tradicionais, inspirando outras pessoas a resgatar e transformar essa herança em fonte de renda. Em 2026, sua dedicação foi reconhecida com o terceiro lugar na etapa estadual do DF do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Produtora Rural. Josefa dedica o prêmio a todas as agricultoras e guardiãs de saberes, afirmando que ele valida o conhecimento tradicional e o empreendedorismo na agricultura familiar, promovendo autonomia e renda sem o abandono das raízes.
Apoio aos Pequenos Negócios
Os pequenos negócios representam uma força vital para a economia brasileira, somando mais de 24,19 milhões de CNPJs e contribuindo com 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP), o setor é responsável por cerca de 80% dos empregos gerados no país.
Em celebração a essa importância, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, em 5 de outubro, é marcado pela campanha “Compre do Pequeno”, promovida pelo Sebrae. A iniciativa visa destacar o impacto desses empreendedores na vida das pessoas e no desenvolvimento das comunidades locais. Somente em 2026, o Brasil registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios, reforçando a relevância do consumo consciente para fortalecer a economia local e gerar mais oportunidades de trabalho.