Polícia

Mel adulterado: fiscais apreendem mais de 270 frascos em cidade do interior de SP

Redação

Uma denúncia sobre a possível comercialização de mel adulterado e sem origem comprovada levou a Prefeitura de Araras a intensificar as fiscalizações em estabelecimentos do município.

A ação é realizada desde maio deste ano pelas Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Agricultura e de Saúde, com foco na verificação da origem e da regularidade do produto comercializado na cidade. A iniciativa busca identificar possíveis irregularidades e garantir que o mel oferecido aos consumidores esteja dentro das exigências de comercialização.

De acordo com a médica veterinária do Serviço de Inspeção Municipal, Natália Amaral Ambrósio, durante as ações, foram apreendidos 272 frascos de mel, desse total, 240 frascos foram inutilizados nos próprios estabelecimentos e 32 amostras.

“As mostras foram encaminhadas para análises laboratoriais, realizadas por meio de parceria com o Serviço de Orientação à Alimentação Pública da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp Botucatu”, explicou Natália Amaral.

Os materiais foram submetidos a análises físico-químicas e microbiológicas para avaliação de parâmetros relacionados à identidade, qualidade e segurança dos produtos.

Resultado das análises

Das 32 amostras analisadas, 28 apresentaram resultados em desacordo com o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do mel estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Destas, 22 apresentaram resultados indicativos de adulteração e seis apresentaram teor de sacarose acima do limite estabelecido para o produto.

O excesso de sacarose pode estar relacionado a problemas de manejo, como a colheita precoce do mel, antes de sua adequada maturação, ou a alimentação artificial das abelhas com xarope de açúcar em período próximo à colheita, e também pode estar associado à adulteração do produto.

“Do total das amostras, apenas quatro amostras apresentaram resultados compatíveis com os parâmetros do RTIQ avaliados. Esse resultado, entretanto, não significa que os produtos possam ser considerados integralmente seguros ou regulares para comercialização”, destacou Natália Amaral.

Segundo ela, uma das quatro amostras, inclusive, possuía registro em Serviço de Inspeção Municipal de outro município e, nessa condição, não estava autorizada a ser comercializada em Araras.

Resultados e análises precisas

É importante destacar que as análises laboratoriais permitem avaliar somente os parâmetros efetivamente pesquisados. Dessa forma, um produto apresentar resultados satisfatórios nos ensaios realizados não permite concluir, isoladamente, que esteja livre de qualquer tipo de adulteração, contaminante ou resíduo não pesquisado.

Existem ainda fraudes mais elaboradas, cuja identificação pode exigir técnicas analíticas específicas.

Procedência do mel

No momento da compra, o consumidor deve verificar atentamente a embalagem e a rotulagem do mel. O produto deve possuir identificação do fabricante, informações de lote e validade e, principalmente, o selo do serviço oficial de inspeção competente, como SIM, SISP ou SIF, conforme a abrangência de comercialização do estabelecimento.

“Características como cor, viscosidade ou cristalização não permitem, isoladamente, determinar se um mel é verdadeiro ou adulterado. Méis genuínos podem apresentar diferentes cores, aromas, consistências e graus de cristalização em razão de sua origem floral, temperatura e condições de armazenamento”, finalizou a veterinária.

O consumidor deve ter atenção especial a produtos sem rótulo, sem identificação do fabricante, sem selo de inspeção, com informações incompletas ou rasuradas ou cuja procedência não possa ser comprovada. Preços muito inferiores aos normalmente praticados também devem despertar atenção quanto à origem do produto.

Fonte: canalrural

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