A produção de um cacau premiado depende de cuidados que começam na preparação do solo e continuam até a secagem das amêndoas. A avaliação foi apresentada pelo produtor rural Luiz Anastácio da Silva durante participação no RuralCast, programa do Grupo Amazun exibido pelo canal Olá Rondônia.
Responsável por uma propriedade produtora de cacau e café em Cacoal, Luiz Anastácio conquistou o terceiro lugar em uma avaliação nacional. Durante a conversa com o apresentador Adalto Costa, ele explicou que o reconhecimento foi alcançado depois de muitos aprendizados, investimentos e mudanças na condução da lavoura.
O produtor destacou que a qualidade começa com a escolha dos materiais genéticos, a correção do solo, a adubação, as podas e o controle de pragas. Entretanto, mesmo uma lavoura produtiva pode perder qualidade quando o pós-colheita não é realizado corretamente.
“Se não tiver uma boa manutenção na fermentação e na secagem, não tem cacau de qualidade”, resumiu.
Na avaliação do produtor, a fermentação é a etapa mais sensível. É nesse período que as amêndoas precisam ser acompanhadas com atenção, respeitando o tempo adequado e realizando as viragens necessárias para permitir a entrada de oxigênio.
“O maior erro do produtor que busca qualidade está na fermentação. É preciso conhecer o processo, ter uma estrutura adequada e observar o momento certo das viragens. Se deixar passar, pode dar problema e não alcançar o ponto desejado”, explicou.
As condições climáticas também interferem diretamente no resultado. Em períodos nublados ou chuvosos, a secagem pode levar mais tempo, aumentando o risco de perda das características esperadas.
Segundo Luiz Anastácio, os frutos apresentam boas condições enquanto permanecem na planta, desde que a lavoura receba o manejo necessário. Após a colheita, porém, o resultado passa a depender principalmente da dedicação do produtor e das condições do tempo.
“Depois da colheita, a qualidade depende da boa vontade do produtor e do clima. Se o trabalho for executado corretamente, é possível chegar a um cacau de qualidade”, afirmou.
A produção especial representa uma parcela menor do volume total da propriedade, mas alcança uma remuneração superior. Como exemplo, o produtor explicou que, em determinado lote, cerca de 80% podem ser destinados ao mercado convencional, enquanto os 20% selecionados recebem um valor diferenciado.
Além de melhorar o preço, a qualidade facilita a comercialização. As amêndoas produzidas pela família já são procuradas por compradores de Porto Velho e de outros estados, como Espírito Santo e São Paulo.
O planejamento das podas também influencia o período da colheita. Luiz Anastácio contou que percebeu essa relação dentro da própria propriedade, depois de realizar o serviço em momentos diferentes em dois talhões.
“A parte podada primeiro produziu mais cedo, enquanto a outra produziu mais tarde. Foi algo que a própria lavoura me ensinou”, relatou.
Para ele, conhecimento e acompanhamento técnico são essenciais para evitar erros e aumentar a produtividade. O produtor recebe assistência do Senar e também participa de atividades promovidas pelo Sebrae.
A entrevista completa está disponível no canal Olá Rondônia, no YouTube, e apresenta outras orientações sobre manejo, fermentação, secagem e comercialização do cacau.
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