Tecnologia ganha espaço nos serviços topográficos
Os drones estão transformando a maneira como levantamentos topográficos, mapeamentos e serviços de regularização são realizados. Durante sua participação no RuralCast, Calil Junior explicou que a WR Topografia atua na preparação de profissionais interessados em utilizar essa tecnologia de maneira técnica, segura e dentro das normas.
A empresa trabalha com topografia, regularização e treinamentos voltados a diferentes aplicações dos drones. O objetivo, segundo Calil, é proporcionar conhecimento para que os operadores estejam preparados para ingressar no mercado e exercer a atividade profissionalmente.
“O drone é uma ferramenta espetacular, que pode ser utilizada de muitas maneiras diferentes.”
Segundo o instrutor, comprar o equipamento não é suficiente para garantir um serviço seguro e eficiente. O profissional precisa conhecer as características do drone, as regras de operação, as limitações técnicas e os procedimentos necessários para cada atividade.
“O objetivo da WR Topografia, Regularização e Treinamento é trazer ao aluno o conhecimento necessário para que ele consiga exercer essa profissão com capacidade técnica e dentro das regras.”
Da topografia manual ao mapeamento aéreo
Calil também falou sobre a evolução dos serviços topográficos. No passado, as informações eram registradas manualmente em cadernetas de campo. Posteriormente, passaram a ser utilizados equipamentos eletrônicos e sistemas a laser. Atualmente, os drones representam uma nova etapa desse processo.
“Sou do tempo em que a gente fazia a topografia de forma analógica e anotava na caderneta manual. Depois evoluímos para os equipamentos eletrônicos e hoje estamos na era dos drones.”
Os equipamentos aéreos permitem coletar uma grande quantidade de dados em pouco tempo e alcançar áreas que seriam mais difíceis ou demoradas de serem avaliadas por métodos convencionais.
Essa tecnologia pode ser aplicada em diferentes segmentos da engenharia, incluindo as áreas civil, florestal e ambiental.
“O drone é uma ferramenta dentro da topografia que consegue passar informações que, com outros equipamentos, não conseguiríamos obter, principalmente na velocidade com que ele realiza o trabalho.”
Regularização fundiária com maior agilidade
Entre os exemplos apresentados durante o podcast está a utilização de drones em processos de regularização fundiária. Calil contou que participou de um trabalho realizado em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho.
Segundo o instrutor, se o levantamento fosse realizado inteiramente por métodos convencionais, poderia levar meses. Com o mapeamento aéreo, a coleta das informações foi concluída em poucos dias.
“Se eu fosse fazer esse levantamento manualmente, demoraria alguns meses. Com o drone, levamos apenas alguns dias para levantar toda a cidade.”
O mapeamento aéreo permite visualizar terrenos, edificações, limites de propriedades e demais elementos necessários para a elaboração de projetos. A qualidade das imagens também contribui para aumentar a precisão dos levantamentos.
“Fizemos a regularização utilizando mapeamento com drone e precisão centimétrica.”
A tecnologia, portanto, pode diminuir o tempo necessário para o trabalho de campo, aumentar a quantidade de informações coletadas e auxiliar os profissionais responsáveis pela elaboração de plantas, memoriais e projetos de regularização.
Operação de drones exige conhecimento das regras
Outro ponto importante da entrevista foi a necessidade de conhecer a legislação aplicável à utilização de drones. Calil explicou que existem regras específicas para operar os equipamentos, principalmente quando os voos são realizados profissionalmente ou próximos de pessoas, construções e áreas urbanas.
O instrutor destacou que os operadores precisam abandonar decisões baseadas apenas em opiniões pessoais e buscar informações nos órgãos responsáveis pela aviação civil e pelo controle do espaço aéreo.
“Precisamos prestar atenção no que diz a regra e deixar um pouco de lado o achismo.”
Durante a conversa, Calil citou, como exemplo, os cuidados necessários para voar em condomínios e outros locais habitados. Conforme explicou no podcast, a presença de pessoas exige atenção à distância de segurança e, dependendo das condições do voo, autorização daqueles que estão no local.
Ele também alertou que os profissionais precisam cadastrar os equipamentos e solicitar as autorizações exigidas para as operações. A falta da documentação pode provocar apreensão do drone, aplicação de multa e outras consequências legais, conforme o local e as circunstâncias da atividade.
“O drone é uma ferramenta sensacional, mas o piloto precisa estar amparado para executar um trabalho com qualidade e sem gerar problemas para ele mesmo.”
Equipamentos para diferentes finalidades
Calil explicou que existem drones de diferentes faixas de preço e capacidades. Alguns modelos são destinados principalmente à produção de fotografias e vídeos, enquanto outros são desenvolvidos para atividades mais complexas, como mapeamento, inspeção, segurança pública, monitoramento ambiental e pulverização agrícola.
“Cada drone tem a sua função.”
Modelos básicos podem ser utilizados na produção audiovisual e, com técnicas adequadas, em determinados tipos de levantamento. Equipamentos de alto desempenho oferecem câmeras avançadas, maior autonomia de voo, sensores específicos e resistência a condições climáticas adversas.
Por isso, antes de comprar, o profissional ou produtor rural precisa identificar qual atividade pretende desenvolver. Essa avaliação ajuda a escolher um equipamento compatível com o serviço e evita investimentos inadequados.
Mapeamento aéreo aplicado ao agronegócio
No campo, os drones podem ser empregados para acompanhar áreas de plantio, identificar erosões, analisar a condição das lavouras e localizar possíveis problemas relacionados ao solo, às pragas ou à deficiência de nutrientes.
Calil explicou que algumas dessas operações utilizam drones equipados com câmeras multiespectrais. Esses sensores registram informações que não aparecem com a mesma clareza em fotografias convencionais.
“A câmera multiespectral analisa a condição da planta, identifica se existe algum tipo de praga, deficiência ou necessidade de adubação.”
Com o levantamento, os profissionais podem identificar as partes da lavoura que precisam de atenção. Depois da avaliação técnica de um engenheiro-agrônomo, o produtor pode adotar medidas específicas para cada área.
Essa combinação de mapeamento, diagnóstico e aplicação direcionada faz parte da chamada agricultura de precisão.
“Quando faço o levantamento multiespectral da plantação, consigo identificar os problemas. Depois, o agrônomo recomenda a medida e a pulverização pode ser feita de forma precisa.”
Precisão pode reduzir custos e desperdícios
Ao mapear a lavoura antes da aplicação dos produtos, o produtor consegue direcionar as ações para os pontos que realmente necessitam de intervenção. Isso pode reduzir o desperdício de insumos, otimizar o trabalho e melhorar o acompanhamento da produção.
“Você economiza muito e trabalha de forma precisa.”
Calil observou, entretanto, que a agricultura de precisão ainda está em fase inicial em Rondônia e na Região Norte. Embora os drones de pulverização estejam ganhando espaço, o mapeamento prévio e a identificação detalhada das necessidades da lavoura ainda precisam avançar.
“Na agricultura de precisão, aqui no estado, nós ainda estamos começando. Precisamos avançar mais.”
Pulverização agrícola exige capacitação
A utilização de drones na pulverização foi outro tema de destaque no RuralCast. Calil explicou que a WR Topografia oferece treinamento para profissionais interessados nessa atividade.
O instrutor alertou que operar um drone agrícola não significa apenas aprender a controlar o equipamento. O piloto precisa conhecer as condições climáticas, os produtos utilizados, a área de aplicação e os possíveis impactos ambientais.
“Quando trabalhamos na área agrícola, precisamos tomar um cuidado muito grande com a questão ambiental.”
Um dos riscos mencionados é a deriva, situação em que o produto aplicado é transportado pelo vento para uma área diferente daquela planejada. Isso pode prejudicar a plantação de propriedades vizinhas, atingir locais sensíveis e gerar prejuízos financeiros e ambientais.
“O piloto agrícola precisa buscar conhecimento para não gerar problema para o vizinho, para o patrão e deixar todo mundo no prejuízo.”
A capacitação permite que o operador compreenda as características do produto, as condições adequadas para pulverização, a configuração do equipamento e os cuidados necessários para preservar a segurança das pessoas e do meio ambiente.
Mais de mil alunos capacitados
A atuação de Calil como instrutor começou em 2016. Desde então, mais de mil alunos participaram do treinamento de piloto básico. A empresa também já capacitou mais de 120 pessoas em mapeamento e mais de 50 alunos na área de fotografia e vídeo, conforme os números apresentados durante o podcast.
“Já treinamos mais de mil alunos no piloto básico. Na parte de mapeamento, passaram mais de 120 alunos, e em foto e vídeo, mais de 50.”
A WR Topografia também oferece capacitações avançadas. Entre elas está o treinamento para pilotos especialistas, preparado para profissionais que precisam operar drones em condições adversas e cumprir missões que exigem maior conhecimento técnico.
Essas formações são direcionadas a diferentes segmentos, incluindo segurança pública, segurança privada, engenharia, agricultura, produção audiovisual e inspeção.
As turmas do curso básico podem reunir até 30 alunos. Nas capacitações avançadas, como o treinamento de mapeamento, o número de participantes é reduzido para proporcionar maior acompanhamento e aproveitamento.
Capacitação como oportunidade profissional
Para Calil, o mercado de drones oferece oportunidades em diferentes áreas. Empresas já contratam pilotos para atuar em marketing, publicidade, segurança, agricultura, inspeção de linhas de energia e monitoramento de sistemas de geração solar.
“Existem vários tipos de oportunidades. Muitas empresas já contratam pilotos para trabalhar no marketing, na propaganda, na segurança pública, na segurança privada e na agricultura.”
Um drone equipado com os sensores adequados também pode ser utilizado para inspecionar painéis solares, identificando possíveis falhas de funcionamento e pontos que necessitam de manutenção.
Calil incentivou os profissionais a investirem em qualificação e empreendedorismo. Segundo ele, o setor ainda possui espaço para crescimento em Rondônia.
“Se você quer aprender a ganhar dinheiro com drone, fazer disso uma carreira e viver dessa atividade, é possível. Aqui no estado, esse mercado ainda está no começo.”
O instrutor também alertou contra a atuação sem conhecimento técnico. Para conquistar credibilidade, o piloto precisa respeitar as regras, priorizar a segurança e entregar serviços de qualidade.
“Busque o conhecimento, faça um curso e se especialize. Voando dentro das regras, você consegue trabalhar e gerar renda.”
Conhecimento para desenvolver a Região Norte
Além da formação profissional, Calil afirmou que o trabalho possui o propósito de contribuir com o desenvolvimento tecnológico da Região Norte.
O empresário ressaltou a satisfação de encontrar antigos alunos que passaram a trabalhar no setor e gerar renda utilizando o conhecimento adquirido nos treinamentos.
“Quando estamos na rua e uma pessoa diz: ‘Professor, estou trabalhando na área e ganhando meu dinheiro com drone’, ficamos muito felizes, porque esse é o nosso objetivo.”
Para ele, Rondônia precisa acompanhar as transformações tecnológicas e assumir uma posição de destaque no mercado nacional.
“Não quero que a visão seja a de que o Norte está sempre atrasado. Quero que a nossa região esteja à frente.”
Investimento precisa vir acompanhado de treinamento
Ao final da entrevista, Calil recomendou que os produtores rurais avaliem o investimento em drones, especialmente diante das possibilidades de aplicação na agricultura, na pecuária, no mapeamento e na gestão das propriedades.
Entretanto, reforçou que a aquisição do equipamento deve ser acompanhada pela capacitação dos funcionários responsáveis pela operação.
“Invista no equipamento, porque o drone é uma ferramenta sensacional e pode levar a produção para um patamar diferente. Porém, treine e capacite o seu pessoal.”
Segundo o instrutor, a combinação entre tecnologia adequada e profissional capacitado proporciona maior qualidade, produtividade e segurança ambiental.
“Com o equipamento bem alinhado e o piloto bem treinado, você consegue se desenvolver muito.”
A participação de Calil Junior no RuralCast mostrou como os drones deixaram de ser apenas equipamentos de fotografia e entretenimento. Atualmente, eles são ferramentas de trabalho capazes de apoiar a regularização fundiária, o planejamento de propriedades, o monitoramento de lavouras, a pulverização agrícola e diferentes atividades profissionais.
A entrevista completa está disponível no canal Olá Rondônia, no YouTube:
Contato — WR Topografia
Endereço: Rua da Prata, nº 3707, Bairro Marechal — Porto Velho/RO
Telefone: (69) 99922-66396
Assista ao podcast:
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