Crédito para fortalecer quem produz
O acesso ao crédito rural e sua importância para o desenvolvimento das propriedades foram os principais temas da entrevista com Agda da Silva Santos, gerente do Sicredi em Candeias do Jamari, no podcast RuralCast.
O episódio foi apresentado por Lenilson Guedes e integrou a cobertura especial do Grupo Amazun durante a 2ª AGROTEC, realizada na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, Rondônia.
Durante a conversa, Agda apresentou opções de financiamento para produtores rurais, empresas agropecuárias e empreendedores interessados em modernizar ou expandir suas atividades.
“O Sicredi possui linhas voltadas ao agronegócio, com recursos subsidiados, linhas de custeio e recursos próprios da cooperativa.”
Segundo a gerente, o financiamento pode ser utilizado como uma ferramenta de planejamento, permitindo que o produtor realize investimentos com prazos compatíveis com o retorno da atividade.
Cooperativismo financeiro presente em Rondônia
Agda explicou que o Sicredi possui mais de 120 anos de história e foi uma das instituições pioneiras do cooperativismo financeiro no Brasil.
A gerente representa a Sicredi Univales, cooperativa que atende o noroeste de Mato Grosso e o estado de Rondônia.
“O Sicredi começou na região Sul e hoje está presente em diferentes regiões do país, levando o cooperativismo financeiro aos associados.”
De acordo com a entrevistada, a Sicredi Univales possui 46 agências em sua área de atuação, sendo 26 localizadas em Rondônia.
A agência de Candeias do Jamari está situada a aproximadamente 25 quilômetros de Porto Velho e mantém atendimento direcionado ao setor agropecuário.
“Nossa agência é muito concentrada no agronegócio. O produtor encontra atendimento diferenciado e voltado às necessidades do campo.”
Recursos subsidiados e próprios
As linhas de crédito rural podem utilizar recursos de programas governamentais, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, e da própria cooperativa.
Cada modalidade possui características específicas, incluindo finalidade, limite financeiro, prazo, garantias e documentação exigida.
“Temos linhas subsidiadas e também recursos próprios da cooperativa.”
Agda ressaltou que algumas operações de investimento podem oferecer prazos de até dez anos, dependendo da modalidade, do projeto e das condições aplicáveis ao produtor.
“Existem linhas que podem chegar a dez anos para pagamento. Isso permite ao produtor fazer um planejamento de longo prazo e investir com qualidade.”
Antes da contratação, a instituição analisa a capacidade de pagamento, a atividade desenvolvida e a finalidade do recurso.
Crédito atende pessoas físicas e jurídicas
O Sicredi oferece opções tanto para produtores que atuam como pessoas físicas quanto para empresas ligadas ao setor agropecuário.
No caso das pessoas jurídicas, existem linhas destinadas à aquisição de equipamentos, ampliação da estrutura, capital de giro e outros investimentos empresariais.
“A pessoa jurídica do setor agropecuário também pode acessar linhas subsidiadas e recursos da própria cooperativa.”
Já para o produtor rural pessoa física, as opções podem contemplar custeio da produção, investimentos na propriedade, aquisição de animais, máquinas, sistemas de energia e melhorias estruturais.
A modalidade mais adequada depende do perfil do produtor e do projeto que será executado.
Custeio mantém atividade em funcionamento
As linhas de custeio são utilizadas para financiar as despesas necessárias a cada ciclo produtivo.
Esses recursos podem auxiliar na compra de sementes, fertilizantes, defensivos, alimentação animal e outros insumos relacionados à atividade agropecuária.
O custeio permite que o produtor mantenha a produção até o período da colheita, comercialização ou venda dos animais.
“O financiamento dá um respiro para que a pessoa consiga trabalhar, se adequar e pagar ao longo do tempo.”
Esse planejamento reduz a necessidade de retirar imediatamente todo o recurso do caixa da propriedade, preservando o capital para outras despesas.
Financiamento para máquinas e equipamentos
A aquisição de máquinas e equipamentos foi outro assunto abordado no RuralCast.
O produtor pode procurar a instituição para financiar tratores, implementos, equipamentos de colheita e outras tecnologias destinadas à modernização da atividade.
“Nós temos linhas para máquinas e equipamentos durante o ano, não apenas no período do Plano Safra.”
Durante a entrevista, Agda mencionou uma opção com limite de até R$ 250 mil para determinadas aquisições. O valor e o prazo efetivamente disponíveis dependem do enquadramento, da análise e das regras vigentes no momento da contratação.
A modernização pode aumentar a produtividade, reduzir o esforço manual e melhorar a qualidade dos produtos.
Energia solar pode ser financiada
Os sistemas de energia solar também podem ser incluídos nos projetos financiados.
Para pessoas físicas, Agda citou uma modalidade com prazo de até 60 meses e possibilidade de carência de 90 dias para o pagamento da primeira parcela, conforme análise e condições da operação.
“A pessoa física pode ter até 60 meses para pagar e 90 dias para a primeira parcela.”
A carência inicial considera o período necessário para aquisição e instalação do sistema.
Agda alertou, entretanto, que a conta de energia não necessariamente será zerada após a implantação das placas solares. Custos mínimos, taxas e outras cobranças podem permanecer.
“É importante lembrar que a conta não vai necessariamente zerar 100%. Existe um período de transição e alguns custos podem continuar.”
Por isso, o produtor deve analisar o consumo, a capacidade de geração e o valor do financiamento antes de decidir.
Recursos para melhorias na propriedade
Além de máquinas e energia solar, as linhas rurais podem atender diferentes necessidades estruturais.
Entre as finalidades apresentadas durante a entrevista estão:
- Recuperação de pastagens;
- Construção ou reforma de currais;
- Implantação de cercas;
- Compra de matrizes e outros animais;
- Aquisição de equipamentos;
- Implantação de sistemas sustentáveis;
- Recuperação ambiental;
- Expansão das atividades produtivas.
“Temos linhas para recuperação de pastagem, construção de curral, cercas e várias outras necessidades da propriedade.”
Esses investimentos podem melhorar o manejo, aumentar a capacidade produtiva e proporcionar maior segurança ao trabalhador rural.
Planejamento evita investimento inadequado
Agda ressaltou que a concessão do crédito precisa estar acompanhada de planejamento.
Antes de financiar a compra de animais, por exemplo, é necessário verificar se a propriedade possui área, pastagem, água e estrutura suficientes para receber o novo rebanho.
“Às vezes, a pessoa quer comprar 50 cabeças de gado, mas a terra não suporta essa quantidade.”
A instituição procura compreender a realidade da propriedade e apresentar a linha mais adequada à necessidade do produtor.
“A gente escuta o que o produtor precisa, entende a situação e oferece uma linha que contribua para o desenvolvimento da atividade.”
A análise ajuda a evitar que o financiamento se transforme em uma dívida incompatível com a capacidade produtiva da propriedade.
Projetos podem ser elaborados com apoio técnico
O projeto técnico necessário ao financiamento pode ser elaborado com apoio da cooperativa ou de empresas parceiras.
Se o produtor já possui um profissional que presta assistência à propriedade, o projeto também pode ser encaminhado por esse responsável.
“O projeto pode ser feito pela cooperativa ou por uma empresa parceira. Se o produtor já possui assistência, o profissional pode direcioná-lo ao Sicredi.”
Quem ainda não possui orientação pode procurar uma agência para conhecer as possibilidades disponíveis.
A elaboração do projeto considera a finalidade do recurso, a capacidade produtiva, a viabilidade financeira e o prazo necessário para alcançar o retorno esperado.
Documentação fundiária ainda é obstáculo
A falta de regularização documental permanece entre as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores de Rondônia ao buscar crédito rural.
“Na nossa região, a documentação fundiária ainda é uma das principais dificuldades.”
Algumas operações exigem comprovação da propriedade, regularidade cadastral e documentos ambientais. Entretanto, existem modalidades com recursos próprios que podem analisar situações diferentes, desde que a área não tenha impedimentos legais ou ambientais.
Para determinados agricultores familiares, Agda citou a possibilidade de apresentação de contrato de compra e venda, CAF ativa e Cadastro Ambiental Rural, o CAR, conforme as regras da linha e a análise da instituição.
“Existem linhas que conseguem atender o pequeno produtor mesmo sem toda aquela documentação anteriormente mencionada.”
As exigências variam conforme o programa, o valor solicitado, a finalidade do crédito e as garantias apresentadas.
Agricultura familiar encontra oportunidades
Durante a entrevista, Agda abordou opções voltadas aos agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf.
Entre as possibilidades mencionadas estão operações de custeio e investimento, com limites e prazos definidos conforme o perfil do agricultor e as normas do programa.
“O pequeno produtor pode encontrar linhas de custeio e investimento que ajudam a desenvolver sua propriedade.”
O recurso pode ser direcionado à melhoria das instalações, compra de equipamentos, ampliação da produção ou adoção de novas tecnologias.
O acesso responsável ao financiamento ajuda a agricultura familiar a produzir com maior regularidade e competitividade.
Crédito impulsiona emprego e renda
Para Agda, o crédito rural contribui não apenas para o crescimento de uma propriedade, mas também para a economia da região.
Quando o produtor amplia a criação, moderniza a lavoura ou constrói uma nova estrutura, ele passa a adquirir mais insumos e pode precisar contratar trabalhadores.
“Se ele consegue expandir a propriedade, vai precisar de mais mão de obra. O crédito ajuda a aumentar a produção e a geração de empregos.”
O financiamento também pode proporcionar mais conforto e qualidade de vida para a família rural.
“A pessoa consegue respirar, trabalhar, aumentar sua produção e melhorar a qualidade de vida da própria família.”
O impacto alcança fornecedores, prestadores de serviços, transportadores e comerciantes ligados à cadeia do agronegócio.
Seguro rural protege patrimônio e produção
Os riscos climáticos e operacionais fazem parte da rotina no campo. Por isso, Agda apresentou modalidades de seguro rural disponíveis para os produtores.
Entre elas está o seguro chamado “porteira fechada”, que pode oferecer cobertura a diferentes estruturas e bens existentes na propriedade, conforme as condições da apólice.
“O Sicredi oferece seguro rural porteira fechada, uma modalidade encontrada em poucas instituições.”
A gerente citou coberturas relacionadas a incêndio, explosão e queda de raio. Dependendo do produto contratado, animais atingidos por descargas atmosféricas também podem estar contemplados.
“Na época das chuvas, os animais podem se concentrar debaixo de uma árvore e serem atingidos por um raio. Existem coberturas para esse tipo de situação.”
A contratação deve ser analisada individualmente para verificar riscos cobertos, exclusões, limites e demais condições.
Cooperativismo amplia relacionamento
Agda destacou que o Sicredi não atua apenas como uma instituição de financiamento, mas como uma cooperativa financeira.
“Nosso negócio é o cooperativismo.”
Nesse modelo, o associado utiliza produtos e serviços financeiros e também participa da cooperativa.
Além do crédito rural, a instituição oferece outras soluções para pessoas, famílias e empresas, incluindo seguros, investimentos e serviços bancários.
Segundo a gerente, o portfólio reúne mais de 300 soluções financeiras.
Informação é o primeiro passo
A gerente recomendou que os produtores procurem uma agência antes de realizar qualquer investimento.
O atendimento permite identificar qual linha corresponde ao perfil do interessado, quais documentos precisam ser providenciados e se o projeto possui viabilidade financeira.
A agência do Sicredi em Candeias do Jamari está localizada na região central da cidade, próxima ao principal semáforo do município.
Os produtores também podem buscar informações nas redes sociais da Sicredi Univales ou em outras agências localizadas em Rondônia.
“É só procurar uma de nossas agências para conhecer as possibilidades e entender melhor o nosso trabalho.”
Crédito planejado promove desenvolvimento
A participação de Agda da Silva Santos no RuralCast mostrou que o crédito rural pode ser um instrumento decisivo para modernizar propriedades e gerar oportunidades no campo.
As linhas apresentadas atendem pessoas físicas e jurídicas e podem financiar desde o custeio da produção até investimentos de longo prazo.
Máquinas, energia solar, pastagens, currais, cercas, matrizes, sustentabilidade e ampliação das atividades estão entre as possibilidades abordadas.
Entretanto, a gerente ressaltou que cada financiamento precisa estar baseado em planejamento, documentação e capacidade de pagamento.
O episódio integra a cobertura especial do RuralCast, produção do Grupo Amazun para o canal Olá Rondônia, diretamente da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.
Assista ao podcast completo:
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