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ASSISTA: Cooperativa Agro Bom fortalece produtores e amplia acesso da agricultura familiar aos mercados institucionais

Com cerca de 284 agricultores vinculados, cooperativa fornece alimentos para Conab, Exército, Seduc, Semed e outros programas de compras públicas

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Cooperativismo transforma produção em oportunidade

A união dos produtores rurais e o acesso da agricultura familiar às compras institucionais foram os principais assuntos da entrevista com Elcione Duarte da Silva, diretor financeiro da Cooperativa Agro Bom, no podcast RuralCast.

O episódio foi apresentado por Lenilson Guedes e gravado durante a cobertura especial do Grupo Amazun na 2ª AGROTEC, realizada em Porto Velho, Rondônia.

Com três anos de existência, a Cooperativa Agro Bom trabalha para organizar os agricultores, regularizar documentos, agregar valor à produção e abrir novos canais de comercialização.

“A cooperativa tem três anos e enfrentou muitos desafios. Um deles foi mostrar aos produtores o que é o ato cooperado e quais são as vantagens de fazer parte de uma cooperativa.”

Segundo Elcione, muitos agricultores ainda desconhecem os benefícios do cooperativismo. A atuação coletiva facilita a participação em editais e programas públicos, que geralmente priorizam grupos formalizados.

União amplia o acesso aos mercados

Uma das principais vantagens de participar da cooperativa é a possibilidade de acessar mercados que seriam mais difíceis para o produtor individual.

A Agro Bom auxilia os cooperados na organização da produção, participação em chamadas públicas, entrega dos alimentos e recebimento dos valores comercializados.

“Hoje, as normas e as leis preferem trabalhar com grupos formais. Quando o produtor se filia à cooperativa, ele passa a ter vários acessos de venda.”

Essa organização aumenta a capacidade de negociação, dá mais segurança comercial e reduz a dependência dos atravessadores.

Nos programas de compras institucionais, os produtos são comercializados de acordo com preços definidos previamente, garantindo maior transparência e previsibilidade aos agricultores.

“O produtor cooperado tem um benefício maior do que aquele que tenta trabalhar sozinho.”

Regularização documental foi um dos primeiros desafios

Nos primeiros anos, a Agro Bom encontrou produtores que trabalhavam regularmente na zona rural, mas ainda não possuíam o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, conhecido como CAF.

O documento substituiu a antiga Declaração de Aptidão ao Pronaf e é fundamental para o acesso a políticas públicas destinadas à agricultura familiar.

“Além de encontrar o produtor que desejava se filiar, a cooperativa também precisou orientar a regularização da documentação.”

Elcione explicou que a Agro Bom fornece orientações e repassa aos agricultores uma lista dos documentos necessários. A emissão da CAF pode ser realizada por órgãos e entidades autorizadas, após a identificação da atividade e da produção desenvolvida na propriedade.

Segundo o entrevistado, o cadastro comprova o enquadramento do trabalhador na agricultura familiar e permite o acesso a diferentes benefícios.

“A CAF é como se fosse o contracheque ou a carteira assinada do produtor rural.”

Além de possibilitar a participação em programas institucionais, a documentação facilita o acesso a benefícios previdenciários, financiamentos, equipamentos e outras políticas voltadas ao campo.

Agro Bom reúne aproximadamente 284 produtores

A cooperativa possui uma CAF jurídica à qual estão vinculados os cadastros dos agricultores associados.

De acordo com Elcione, o número varia conforme a validade e a renovação da documentação de cada produtor, mas atualmente está na faixa de 284 agricultores ativos.

“Nós temos aproximadamente 300 associados, mas o número de produtores ativos varia. Hoje, são cerca de 284 vinculados à cooperativa.”

A quantidade demonstra o alcance conquistado pela Agro Bom em apenas três anos de funcionamento.

Ao reunir centenas de famílias, a organização consegue ampliar a diversidade de produtos e atender contratos que exigem volume, regularidade e capacidade de distribuição.

Diversidade é uma das forças da cooperativa

A Cooperativa Agro Bom possui um portfólio diversificado, formado por produtos in natura e processados.

Entre os alimentos comercializados estão frutas, verduras, legumes, leite, iogurte, queijo, manteiga, ovos, frango, café em grãos, café torrado, colorau, açafrão, polpas de frutas, pães, pescados e macaxeira processada.

“A Cooperativa Agro Bom tem uma alegria muito grande em apresentar seu portfólio. Nós trabalhamos com frutas, verduras e tudo o que é produzido em nossa região.”

Na cadeia de laticínios, a organização trabalha com leite fresco pasteurizado, iogurte, queijo e manteiga. Na avicultura, comercializa frango abatido, cortes e ovos.

A produção também contempla pescados, panificação, polpas, café, condimentos e outros itens fornecidos pelos associados.

“A Agro Bom é uma das cooperativas que possui uma grande diversidade de produtos processados.”

A cooperativa ainda reúne iniciativas ligadas a outras atividades produtivas, como corte e costura, demonstrando que o associativismo pode alcançar diferentes segmentos da economia familiar.

Produtos processados agregam valor

A venda de alimentos processados é uma estratégia importante para ampliar a renda dos produtores. Em vez de comercializar somente a matéria-prima, o agricultor pode entregar um produto beneficiado, embalado e pronto para o consumo.

Entretanto, alimentos como leite, queijo, pescado, frango e macaxeira descascada precisam seguir normas sanitárias e passar por estabelecimentos inspecionados.

“Todo produto processado precisa ter um selo de inspeção.”

Para atender a essas exigências, a Agro Bom estabelece parcerias com agroindústrias legalizadas. Os cooperados entregam a matéria-prima, realizam o processamento em estruturas certificadas e encaminham o produto final para a comercialização.

Esse modelo evita que a cooperativa precise construir uma unidade industrial para cada cadeia produtiva.

“A Agro Bom não tem condições de montar uma indústria para cada cadeia. A estratégia é encontrar uma agroindústria legalizada e firmar uma parceria.”

Dessa forma, produtores de frutas utilizam estruturas adequadas para produzir polpas, agricultores familiares processam panificados em unidades certificadas e criadores encaminham pescados e outros alimentos para frigoríficos inspecionados.

Pescado chega ao consumidor com certificação

Na cadeia do pescado, o produtor entrega o peixe para processamento em um frigorífico. Depois de preparado e embalado, o alimento retorna para a comercialização por meio da cooperativa.

“O produtor encaminha o peixe para o frigorífico, recebe o produto processado e nós fazemos o fornecimento aos órgãos públicos.”

A certificação sanitária permite que o pescado seja comercializado em mercados institucionais e enviado a outras localidades, conforme a abrangência do selo de inspeção.

Elcione explicou que a cooperativa já forneceu produtos para unidades do Exército em Porto Velho e também em Humaitá, no Amazonas.

Conab garante renda aos agricultores

A parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, foi um dos destaques da entrevista.

Segundo Elcione, a Agro Bom já executou diferentes contratos com a companhia. No primeiro projeto, aproximadamente 46 produtores participaram, com limite de fornecimento superior a R$ 15 mil para cada agricultor.

Em outro contrato, a proposta alcançou R$ 1,5 milhão, reunindo cerca de 100 produtores e diferentes tipos de alimentos.

“Nós colocamos 100 produtores, com R$ 15 mil para cada um, envolvendo produtos in natura e processados.”

A entrega é contabilizada individualmente até que cada cooperado alcance o limite previsto no projeto.

Esse sistema oferece uma alternativa mais rentável em comparação à venda para atravessadores.

“Uma banana que o produtor venderia para o atravessador por R$ 2,50 ou R$ 3 pode ser comercializada para a Conab por um valor maior.”

Além da valorização do produto, Elcione destacou a segurança do pagamento.

“O produtor consegue um retorno maior e tem segurança de que vai receber.”

Agro Bom fornece produtos ao Exército

A cooperativa também participa de editais para o fornecimento de alimentos ao Exército Brasileiro.

De acordo com Elcione, a Agro Bom venceu contratos que somam valores expressivos, incluindo um edital de aproximadamente R$ 500 mil e outro superior a R$ 1 milhão.

Entre os itens fornecidos estão peixe, pães, ovos, leite pasteurizado e queijo.

“Nós ganhamos dois editais do Exército, um de aproximadamente R$ 500 mil e outro que passou de R$ 1 milhão.”

Os contratos mostram como as compras públicas podem criar um mercado estável para os agricultores familiares, desde que a cooperativa tenha organização, documentação e capacidade para cumprir as entregas.

Alimentos atendem escolas estaduais e municipais

A Agro Bom mantém parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia e fornece produtos destinados à alimentação escolar.

Segundo Elcione, alimentos oriundos dos cooperados chegam a mais de 80 escolas estaduais de Porto Velho.

“Os alunos de Porto Velho consomem produtos que saem dos nossos produtores, são processados e encaminhados pela cooperativa.”

A organização também fornece frutas e verduras para a Secretaria Municipal de Educação, a Semed. A expectativa é ampliar o contrato para incluir alimentos processados.

O fornecimento para a alimentação escolar garante mercado aos agricultores e contribui para a oferta de produtos regionais aos estudantes.

Cooperativa movimenta milhões para os produtores

Durante a entrevista, Elcione informou que a cooperativa já movimentou aproximadamente R$ 2,6 milhões por meio de suas operações.

Desse total, cerca de 12% permaneceu com a estrutura da cooperativa para cobrir custos operacionais. O restante foi direcionado aos produtores responsáveis pelos alimentos comercializados.

“A cooperativa faturou aproximadamente R$ 2,6 milhões. Ficou com 12%, e o restante foi para o bolso do produtor.”

O resultado mostra que as compras públicas podem representar uma importante fonte de renda para as famílias rurais.

“São mais de R$ 2 milhões chegando às mãos dos produtores com segurança.”

Processamento da macaxeira ainda é desafio

Apesar dos avanços, a cooperativa ainda enfrenta dificuldades para absorver toda a produção de algumas culturas. A macaxeira foi citada como exemplo.

Muitos agricultores produzem o alimento, mas as escolas e outras instituições precisam recebê-lo descascado, higienizado, embalado e inspecionado.

“Todo mundo produz macaxeira, mas a escola não recebe o produto com casca. Ele precisa estar processado.”

Embora já existam produtores aptos a realizar parte desse beneficiamento, a capacidade atual ainda não atende todo o volume disponível.

A implantação ou parceria com uma farinheira poderia ampliar o aproveitamento da produção e gerar novos produtos, como farinha e derivados.

“Quando tivermos uma estrutura que permita escoar mais produtos processados, teremos ainda mais produtores beneficiados.”

Parcerias mantêm agroindústrias em funcionamento

A entrevista também apresentou exemplos de parcerias com pequenas agroindústrias.

Na cadeia leiteira, produtores entregam o leite a uma unidade legalizada, onde o produto é pasteurizado e transformado em derivados. Na panificação, estruturas certificadas recebem matérias-primas e produzem os pães destinados às escolas.

O mesmo modelo é adotado para a produção de polpas de frutas, com apoio de associações e agroindústrias parceiras.

“O maquinário não cansa. Se a indústria possui capacidade, outros produtores podem utilizar aquela estrutura e manter a produção funcionando.”

Essa integração permite aproveitar melhor os equipamentos, dividir custos e criar oportunidades para agricultores que não possuem estrutura própria.

Cooperativa trabalha conforme a demanda

Elcione ressaltou que a Agro Bom procura agir com responsabilidade ao receber novos associados.

Embora a organização busque novos mercados, ela ainda não consegue garantir a compra de toda a produção de todos os agricultores.

“Eu não posso iludir o produtor e garantir que vou vender 100% do produto dele, porque a cooperativa também trabalha de acordo com a demanda.”

A cooperativa organiza cronogramas e distribui as entregas conforme os contratos vigentes. Essa transparência evita que os associados produzam sem ter um canal de comercialização definido.

Sede está localizada no Ramal do Ouro

A Cooperativa Agro Bom está localizada no Ramal do Ouro, Planalto II, zona rural de Porto Velho.

A estrutura funciona como ponto de apoio para associados e agricultores interessados em conhecer o trabalho, regularizar documentos ou buscar informações sobre os mercados disponíveis.

Além da parte administrativa, a cooperativa oferece orientação jurídica e acompanhamento de editais e chamadas públicas.

A Agro Bom também mantém parcerias com instituições como o Sebrae, buscando fortalecer sua identidade, melhorar a gestão e ampliar a presença no mercado.

Cooperação garante regularidade nas entregas

Na parte final da entrevista, Elcione reforçou que trabalhar individualmente está cada vez mais difícil para o pequeno produtor.

Problemas climáticos, falhas na produção ou o fim de uma colheita podem impedir que um agricultor cumpra sozinho um contrato de fornecimento contínuo.

“O ato cooperado existe para isso: quando faltar uma mercadoria para um produtor, outro cooperado pode ajudar a completar a entrega.”

A variedade de associados permite que a cooperativa mantenha o abastecimento mesmo quando determinada propriedade enfrenta dificuldades.

“Individualmente está difícil trabalhar. Precisamos fortalecer o ato cooperado.”

Fortalecimento da agricultura familiar

A entrevista de Elcione Duarte da Silva no RuralCast demonstrou que o cooperativismo pode transformar a produção da agricultura familiar em oportunidade de negócios.

Em apenas três anos, a Cooperativa Agro Bom reuniu cerca de 284 produtores, diversificou seu portfólio e conquistou contratos com a Conab, o Exército, a Seduc, a Semed e outros programas institucionais.

O modelo contribui para reduzir a dependência dos atravessadores, melhorar os preços pagos ao produtor, agregar valor aos alimentos e garantir maior segurança na comercialização.

“Venha conhecer a Agro Bom e as oportunidades que a cooperativa pode oferecer.”

O episódio integra a cobertura especial do RuralCast, podcast do Grupo Amazun para o canal Olá Rondônia, diretamente da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


Assista ao podcast completo:


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