Saúde

Suframa cobra esclarecimentos após vazamento de gás

Redação

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou na quinta-feira (16) que está acompanhando os desdobramentos do vazamento de gás ocorrido na tarde de quarta-feira (15) em um dos tanques de monômero de estireno da unidade IV da empresa petroquímica Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus.

Em comunicado à imprensa, a Suframa declarou que monitora a situação e exige informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas, bem como sobre os impactos do incidente na conformidade do projeto aprovado e nas condições de uso do lote.

A autarquia ressaltou que a empresa tem a obrigação de garantir a segurança de suas instalações.

A Suframa explicou que sua função se restringe à administração dos incentivos fiscais da Zona Franca, à análise de projetos industriais e à gestão dos lotes de sua propriedade. A operação segura das instalações é responsabilidade da empresa, conforme suas licenças. A apuração das causas e suas consequências sanitárias, ambientais e de saúde ocupacional deve ser realizada pelos órgãos competentes, cujos resultados a Suframa acompanhará integralmente.

O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, divulgou um vídeo em suas redes sociais, afirmando que a autarquia acompanha a situação e prioriza a segurança das atividades industriais e a proteção da população.

No vídeo, Montenegro enfatizou a preocupação da Suframa com os trabalhadores do Distrito Industrial e de seu entorno, garantindo que o órgão prestará todo o suporte necessário na avaliação das etapas produtivas e dos incentivos fiscais, dentro de sua competência.

Em entrevista na quinta-feira, Montenegro também sugeriu que as empresas do Distrito Industrial liberassem seus funcionários.

Como medida de precaução, os servidores da Suframa estão trabalhando remotamente.

Contudo, apesar do forte odor ainda presente na região, trabalhadores de algumas empresas do Distrito Industrial foram obrigados a comparecer presencialmente.

Alguns funcionários, que preferiram não se identificar, relataram à reportagem que tiveram que ir trabalhar.

Um deles, de uma empresa a cerca de dois quilômetros da Innova, afirmou que a fábrica estava funcionando normalmente, mas alguns colegas passaram mal e foram liberados. Ele descreveu sintomas como enjoo, coceira nos olhos, dor de cabeça e nariz escorrendo, observados em diversas fábricas do distrito.

O funcionário comparou o cheiro do vazamento a "thinner, tinta, um cheiro que não fedia muito, mas era sufocante, como ficar cercado de paredes que acabaram de ser pintadas". Ele acrescentou que, embora o odor ainda estivesse presente na quinta-feira, já não era tão intenso quanto na quarta.

Outro trabalhador da região informou que o expediente em sua empresa também seguia normal.

Ele relatou que tentaram solicitar dispensa, mas foram instruídos a procurar um médico e apresentar atestado. Queixando-se de fortes dores de cabeça e percebendo que o retentor estava comprimido, ele usava uma máscara facial própria para se proteger.

Histórico do Incidente

O vazamento de gás teve início na tarde de quarta-feira (15) no Distrito Industrial, mas o forte cheiro, semelhante ao de tinta, foi sentido em diversas partes de Manaus, incluindo o centro da capital, próximo ao Teatro Amazonas. O odor ainda era perceptível em alguns pontos da cidade na quinta-feira.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o vazamento começou por volta das 17h36 e foi controlado. Ele ocorreu em um dos tanques da empresa e foi causado pelo próprio sistema de segurança do equipamento, projetado para evitar uma explosão.

Para atender à ocorrência, os bombeiros mobilizaram cerca de dez viaturas, quatro canhões de água e 35 homens. Brigadistas da empresa afetada também participaram da ação.

Em nota, a empresa Innova informou que "não houve vítimas de qualquer natureza" e que a "intercorrência foi controlada".

A Secretaria de Estado de Saúde registrou a entrada de 16 pessoas em unidades da rede estadual de saúde na quarta-feira.

A Innova esclareceu que o vazamento ocorreu em um de seus três tanques de armazenamento. A empresa afirmou que o líquido sofreu elevação anormal de temperatura, liberando vapores de forma controlada pelos dispositivos de segurança do equipamento. A situação foi prontamente contida conforme os procedimentos de emergência, e todo o resíduo foi armazenado para tratamento adequado, seguindo as normas ambientais. Apesar do cheiro forte, a empresa assegurou que "não há risco à saúde das pessoas e de contaminação ao meio ambiente".

A Prefeitura de Manaus, por sua vez, informou que está acompanhando o caso por meio de um Gabinete de Crise, em colaboração com os órgãos competentes.

A prefeitura recomendou que a população evite circular pela área afetada até que a situação seja considerada totalmente segura.

Além disso, aconselhou os moradores que sentirem forte odor em casa a fechar portas e janelas, e a procurar atendimento médico caso apresentem sintomas como falta de ar, tosse intensa, dor no peito, tontura, desmaio ou ardência nos olhos e na garganta.

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