Rondônia

De ferry boat ou a meia hora da cidade: turismo de proximidade impulsiona pequenos negócios

Redação

Brasileiros têm optado por viagens mais curtas e acessíveis, impulsionando o turismo de proximidade. O Sebrae, atento a essa tendência, tem intensificado o suporte a empreendedores rurais, visando diversificar a renda e atrair visitantes em busca de natureza e experiências familiares. Essa modalidade fortalece economias locais e pequenos negócios próximos a grandes centros urbanos.

O apoio do Sebrae abrange desde a formalização de empreendimentos até a estruturação de produtos turísticos, consultorias em inovação, estratégias de posicionamento digital, acesso a mercados e adequação às normas do setor. O objetivo é converter propriedades rurais, sítios, fazendas e áreas naturais em destinos atrativos para um público que busca autenticidade e acessibilidade.

Ana Clévia Guerreiro, coordenadora de Comércio, Serviços e Economias de Futuro do Sebrae, explica que a preferência por destinos próximos reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Segundo ela, o turismo de proximidade ganha relevância tanto pelo custo das passagens aéreas quanto pela valorização da convivência familiar e de momentos compartilhados. "As pessoas querem viver experiências significativas sem precisar ir para longe", afirma. Ela acrescenta que isso "gera oportunidades para negócios localizados em áreas rurais próximas aos grandes centros urbanos e fortalece a economia de municípios menores."

Os impactos dessa tendência são visíveis em diversas regiões. Na Bahia, o Hotel Fazenda Recanto, situado a cerca de 60 quilômetros de Salvador — aproximadamente 1h50 de viagem, incluindo a travessia de ferry boat pela Baía de Todos-os-Santos —, tem atraído famílias. Elas buscam trocar o ritmo acelerado da capital por dias de contato com o manguezal, animais de fazenda, trilhas e atividades ao ar livre.

A empresária Tânia Márcia de Andrade, do Hotel Fazenda Recanto, observa um aumento na procura por estadias mais longas e por vivências ligadas às raízes rurais, ao conhecimento da produção de alimentos e ao contato com animais. "As famílias querem passar mais tempo em contato com a natureza, longe do barulho e da correria das cidades", relata. Ela também ressalta a parceria do Sebrae na qualificação dos empreendedores do turismo rural, por meio de capacitações e ações de fortalecimento da cadeia produtiva.

No Paraná, a Estância Carmello, a apenas 35 minutos do centro de Curitiba, oferece um cenário similar. A empreendedora Sônia Beatriz de Paula transformou uma área de Mata Atlântica preservada em um refúgio para famílias que desejam desacelerar sem grandes deslocamentos. Sônia também menciona o apoio do Sebrae na gestão, capacitação e posicionamento do empreendimento.

"Hoje existe uma necessidade muito maior de estar próximo da natureza", afirma Sônia. Ela descreve que, após uma semana cercada por concreto, trânsito e tecnologia, os visitantes encontram na Estância Carmello "o canto dos pássaros, o céu estrelado e a oportunidade de viver em família experiências que antes faziam parte da infância de muitos brasileiros."

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