O governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa/RO), instituiu oficialmente o primeiro Observatório de Monitoramento de Saúde na Fronteira, abrangendo as cidades de Guajará-Mirim (Brasil) e Guayaramerín (Bolívia). A medida, formalizada pela Resolução nº 1071/2025/SESAU-CIB, é considerada um marco na saúde pública brasileira e surge como uma resposta estratégica à intensa circulação de pessoas, bens e serviços na região fronteiriça.
O projeto conta com o apoio do Ministério da Saúde e a assistência técnica da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Seu objetivo é o monitoramento em tempo real para integrar dados, prever riscos e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) na região.
Pioneirismo Nacional
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a criação do Observatório consolida o pioneirismo do estado em âmbito nacional, estabelecendo um modelo inovador de vigilância sanitária e cooperação binacional. "Estamos liderando uma transformação que servirá de exemplo para todo o país, protegendo as fronteiras e garantindo uma saúde pública baseada em dados e tecnologia para a população e para os nossos vizinhos", afirmou.
Gilvander Gregório de Lima, diretor-geral da Agevisa/RO, celebrou a ineditismo da ação, destacando que "É um momento muito especial não só para o município, mas para o estado de Rondônia, assim como para o Brasil. É o primeiro Observatório de Monitoramento de Saúde da Fronteira do Brasil para atender a população rondoniense dessa faixa."
Foco na Saúde Fronteiriça
A proposta do Observatório unifica eixos primordiais da saúde, como a vigilância epidemiológica, a atenção laboratorial, a regulação e o atendimento hospitalar. Todos os municípios situados na faixa de fronteira de Rondônia farão parte do Observatório de Monitoramento.
Eduardo Honda, coordenador do CIEVS/RO, explicou que a iniciativa visa obter uma dimensão clara da dinâmica de saúde na fronteira. "A partir do momento em que temos essa demanda de dados robustos e oficiais, conseguimos planejar melhor. Precisamos dos dados para que eles se transformem em informação e sirvam para a tomada de decisão da gestão", pontuou.
O secretário adjunto da Sesau, Fábio Perondi, ressaltou o protagonismo de Rondônia na instalação do Observatório de Fronteira, classificando-o como uma estratégia essencial para a saúde pública.
Escolha Estratégica e Abrangência
O município de Guajará-Mirim foi escolhido para sediar o lançamento do Observatório nos dias 16 e 17 de junho, devido à sua rede de saúde já consolidada. Contudo, a iniciativa contempla todos os outros municípios da faixa de fronteira rondoniense, incluindo Nova Mamoré, Costa Marques, São Francisco do Guaporé, Pimenteiras do Oeste, e, indiretamente, Porto Velho e Alta Floresta d’Oeste, que também integram a região.
Marcus Quito, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), enfatizou o papel integrador da medida. "Esse Observatório assume um objetivo muito claro de agregarmos os serviços de saúde e, sobretudo, a epidemiologia, o conhecimento epidemiológico, juntamente com a atenção produzida pela atenção primária em saúde, assistência hospitalar, pela atenção indígena que tem aqui no território e pela vigilância laboratorial", declarou.