A regularização fundiária foi apontada como um dos maiores gargalos enfrentados atualmente pelos produtores rurais de Rondônia. O assunto ganhou destaque durante entrevista do diretor financeiro da APRON, Ivanir Gurgel Amaral, ao podcast RURALCAST, apresentado por Tonni Giovanni.
Segundo ele, milhares de famílias chegaram ao estado entre as décadas de 1970 e 1980 incentivadas pelo próprio governo federal, mas até hoje muitos produtores não possuem documentação definitiva das propriedades.
“As pessoas vieram, abriram suas áreas e até hoje não receberam o título definitivo”, declarou.
Durante a entrevista, Ivanir explicou que a ausência de regularização fundiária impede produtores de acessar financiamentos bancários, investir em recuperação de solo e ampliar produtividade.
Segundo ele, instituições financeiras exigem documentação da terra, regularização ambiental e CAR validado antes da liberação de recursos.
Outro ponto destacado foi a situação das áreas degradadas.
Ivanir afirmou que muitos produtores precisam recuperar pastagens e investir em tecnologia, mas não conseguem acessar linhas de crédito por falta de regularização.
A entrevista também abordou a lentidão nos processos ambientais em Rondônia.
Segundo o diretor financeiro da APRON, no ritmo atual, a análise dos CARs pode levar décadas para ser concluída.
“Hoje nós calculamos que pode demorar até 70 anos para analisar todos os CARs”, afirmou.
Ivanir também criticou os embargos automáticos realizados através de sistemas de satélite.
Segundo ele, muitos produtores descobrem bloqueios apenas quando tentam vender produção ou buscar crédito rural.
A APRON defende maior agilidade nos processos de regularização e criação de mecanismos mais rápidos para análise ambiental e fundiária no estado.
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