A dor não aparece nos exames. Não deixa marcas visíveis no corpo. Muitas vezes não é compreendida por familiares, colegas de trabalho e até por parte da sociedade. Mas ela existe — e acompanha milhares de pessoas diariamente. A fibromialgia, considerada uma síndrome crônica e debilitante, foi tema de um episódio especial do RolimCast, apresentado por Angélica Cristina, que recebeu Rosi Cidram para um relato forte, emocionante e informativo sobre os desafios enfrentados por quem convive com a doença.
Durante a entrevista, Rosi falou abertamente sobre a realidade de quem vive com dores constantes, fadiga extrema, alterações emocionais, lapsos de memória e limitações físicas que afetam até mesmo atividades simples do cotidiano. Segundo ela, a fibromialgia vai muito além da dor física.
“Dói para pentear o cabelo, dói para tomar banho, dói para escovar os dentes. A gente vive com dor 24 horas por dia”, relatou durante o podcast.
A presidente da ONG explicou que a síndrome é considerada uma condição invisível, justamente porque os sintomas nem sempre podem ser percebidos externamente. Ainda assim, o impacto na vida dos pacientes é profundo e muitas vezes incapacitante.
Além das dores musculares intensas, a fibromialgia também pode provocar alterações no sono, ansiedade, depressão, sensibilidade emocional, fadiga crônica e dificuldades cognitivas. De acordo com Rosi, muitos pacientes passam anos buscando respostas até conseguirem um diagnóstico correto.
A própria trajetória dela ilustra essa realidade. Os primeiros sintomas começaram por volta de 2015, quando passou a perder força nos braços e pernas enquanto fazia um curso de cabeleireira. Inicialmente, os problemas foram associados a questões na coluna. Somente após diversas consultas, exames e avaliações médicas, surgiu o diagnóstico de fibromialgia.
Ela também destacou que fatores emocionais têm forte relação com o desenvolvimento e agravamento da síndrome. Situações traumáticas, relacionamentos abusivos, sobrecarga emocional, estresse extremo e perdas familiares podem intensificar os sintomas e desencadear crises mais severas.
“É uma doença que afeta totalmente o emocional. Você sente tudo de forma muito mais intensa”, afirmou.
A criação da ONG Fibro Bem Estar
Diante da falta de informação sobre a doença em Rolim de Moura e da necessidade de acolhimento, Rosi decidiu transformar sua experiência pessoal em um projeto coletivo.
O que começou como uma roda de conversa entre pacientes evoluiu para a criação da ONG Fibro Bem Estar, entidade que hoje atua no apoio, orientação e conscientização sobre a fibromialgia em Rondônia.
A iniciativa surgiu após incentivo de profissionais da área da saúde, que perceberam a importância de ampliar o debate sobre a síndrome no município. Aos poucos, o grupo passou a reunir pacientes em encontros periódicos para troca de experiências, apoio emocional e orientação sobre direitos.
Atualmente, a ONG promove ações sociais, palestras, rodas de conversa e atividades voltadas à qualidade de vida das pacientes. Entre os projetos desenvolvidos está a parceria para hidroginástica, considerada uma importante ferramenta no alívio das dores e melhora da mobilidade.
Segundo Rosi, o fortalecimento da entidade também representa um avanço importante na luta por reconhecimento e dignidade para quem convive com a doença.
Caminhada busca conscientizar população
Um dos principais eventos organizados pela ONG é a caminhada de conscientização sobre a fibromialgia, que acontece em Rolim de Moura no dia 30 de maio.
A ação deve reunir pacientes, familiares, apoiadores e profissionais da saúde em um percurso pelas ruas centrais da cidade, levando informação à população sobre os impactos da síndrome e combatendo o preconceito enfrentado pelos pacientes.
A orientação é para que os participantes utilizem roupas na cor lilás, símbolo da campanha de conscientização da fibromialgia. Durante a caminhada, também serão distribuídos materiais informativos e realizadas abordagens educativas no comércio local.
Direitos e reconhecimento legal
Outro tema importante abordado no podcast foi o avanço das legislações voltadas às pessoas diagnosticadas com fibromialgia.
Nos últimos anos, leis estaduais e federais passaram a reconhecer pacientes com fibromialgia como pessoas com deficiência em determinadas situações, garantindo acesso a direitos, atendimento prioritário e possibilidade de aposentadoria mediante avaliação médica e jurídica.
Apesar dos avanços, Rosi destacou que ainda existe muita dificuldade no acesso aos benefícios, principalmente pela necessidade de laudos detalhados e pela falta de informação em órgãos públicos.
Segundo ela, muitos pacientes enfrentam burocracias extensas até conseguirem reconhecimento oficial da condição.
Informação, acolhimento e empatia
Ao longo do episódio, o principal recado deixado por Rosi foi a importância da empatia e da informação.
Para ela, compreender a fibromialgia é fundamental para combater o preconceito e fortalecer quem enfrenta diariamente uma doença silenciosa, mas extremamente dolorosa.
A ONG Fibro Bem Estar segue ampliando sua atuação em Rolim de Moura e região, oferecendo apoio emocional, orientação e esperança para pacientes que muitas vezes convivem sozinhos com a dor.
O episódio completo do RolimCast reforça não apenas a necessidade de conscientização sobre a fibromialgia, mas também o papel das redes de apoio na construção de uma sociedade mais humana e acolhedora.
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