Destaque

Câmara aprova programa de ações para ajudar escolas na adaptação às mudanças climáticas

Redação

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que institui o Programa Nacional de Escolas Resilientes e Sustentáveis. O objetivo é auxiliar as instituições de ensino na adaptação às mudanças climáticas e no uso consciente dos recursos naturais. A proposta agora segue para análise do Senado.

De autoria do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), o Projeto de Lei 2841/24 foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pela relatora, deputada Socorro Neri (PP-AC).

O texto prevê ações como a instalação, manutenção e melhoria de sistemas de drenagem, ventilação e climatização, além da implementação de sistemas de energia renovável e equipamentos eficientes. Também contempla o uso racional da água e da energia, e a gestão de resíduos. Um regulamento futuro poderá detalhar novas ações para promover essa sustentabilidade.

Outras medidas incluem a arborização para reduzir a incidência solar e diminuir a temperatura média nos ambientes escolares, contribuindo para uma menor necessidade de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.

Reformas e melhorias estruturais também poderão ser realizadas para aumentar a resistência e a resiliência das edificações a eventos climáticos extremos.

Paralelamente, planos de contingência e simulações de emergência poderão ser incorporados como parte das ações de prevenção.

A relatora, deputada Socorro Neri, afirmou que a proposta visa promover maior segurança, qualidade e continuidade do processo educacional, em sintonia com os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ela destacou que “o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos tem impactado diretamente a infraestrutura escolar, comprometendo não apenas a integridade física das unidades educacionais, mas também o direito fundamental à educação”.

Adaptação Climática

Para ter acesso a recursos públicos, as escolas que aderirem ao programa deverão elaborar projetos de adaptação que considerem os riscos climáticos, ambientais e socioeconômicos, indicando soluções adequadas às especificidades locais.

Esses projetos devem conter, no mínimo:

  • diagnóstico dos riscos e vulnerabilidades das escolas beneficiadas;
  • projeto de adaptação das instalações de ensino; e
  • plano de ação e cronograma de implementação.

Para o público quilombola e indígena, o texto estabelece que os projetos devem considerar as especificidades culturais e as necessidades de cada comunidade, respeitando seus modos de vida, saberes tradicionais e formas próprias de organização.

Durante o debate em Plenário, a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) ressaltou a preocupação de diversas escolas com o tema. Ela afirmou: “As escolas estão mais quentes, o ar-condicionado não dá conta, é doença respiratória e falta de crianças pelas crises”.

Orçamento e Monitoramento

Os recursos para os projetos de adaptação virão do Orçamento da União e de outras fontes de financiamento, incluindo convênios, transferências voluntárias e doações.

A efetividade do programa será avaliada periodicamente pelo Poder Executivo, com base em indicadores monitorados e divulgados anualmente.

Entre os indicadores a serem utilizados estão a redução do consumo de energia e água, o aumento da cobertura vegetal e o número de escolas com planos de contingência implementados.

A priorização dos investimentos públicos na melhoria da resiliência das escolas a eventos climáticos extremos deverá considerar o nível de risco e de vulnerabilidade das instalações, monitorado periodicamente conforme a disponibilidade orçamentária e financeira.

A gestão do programa será de responsabilidade do governo federal, em articulação com os estados e os municípios.

Objetivos

O texto define vários objetivos para o programa, como:

  • fortalecer a gestão de riscos e a preparação das comunidades escolares para emergências climáticas;
  • fomentar a inclusão da resiliência climática e da sustentabilidade na dinâmica escolar e nas atividades pedagógicas; e
  • promover campanhas educativas e ações de comunicação voltadas à comunidade escolar sobre adaptação climática e sustentabilidade.

Diretrizes

Entre as diretrizes destacam-se:

  • avaliação e diagnóstico da vulnerabilidade das escolas às mudanças climáticas, eventos extremos e desastres;
  • capacitação e formação continuada de gestores, profissionais da educação e comunidade escolar;
  • incentivo à participação da comunidade local; e
  • integração com os planos decenais de educação.

play_circleTV ao Vivo

AO VIVO

Comentários

Deixe sua opinião sobre este conteúdo usando sua conta do Facebook.

Notícias relacionadas